por Rômulo de Oliveira

Em quase tudo e a cada dia somos surpreendidos. Às vezes a surpresa vem de súbito. Como para mim foi o caso dessa palavra que usei como título. Eu a ouvi de um comentarista na TV. Palavra bonita! Gostei – acho que o tal, a usou para “causar” –, e de fato “causou”, como não fui capaz de compreender no todo o que ele queria dizer, logo que pude corri ao dicionário.
Fui apressado em minha crítica ao comentarista; não é que ele não estava inventando palavra!! Como fazem alguns economistas que numa linguagem muito própria – o famoso “economês” –, vivem nos confundindo mais do que nos facilitando a compreensão. Aquele como especialista em RH (recursos humanos) aconselhava sobre como era importante para o funcionário manter o foco no que fazem em seus trabalhos. Bom… Creio que já estou deixando impacientes os que como eu querem ir logo para o dicionário, é ou não é?
“Presenteísmo: Presença física e ausência mental. Refere-se a estar presente fisicamente, mas sem ação e comprometimento. Exemplo de Presenteísmo: A presença física do funcionário no ambiente de trabalho não garante que ele esteja, de fato, presente na empresa”.
Antes que se apressem também em criticar-me: Isto é uma Pastoral ou uma aula de português? Declaro que não me atreveria a ensinar o que muito mal sei. Mas é que quando me deparei com a resposta pensei em como o Presenteísmo está de maneira muito forte, influenciando nossas vidas e, posso incluir, na vida da igreja.
Ás vezes, porém, as novidades vão se incorporando ao nosso cotidiano, de mancinho, e até nos acostumamos com elas. Na minha casa, “vira-e-mexe” assentados no mesmo sofá na sala, me sinto desacompanhado dos meus netos. Têm quase sempre um smartphone entre nós, comum também quando me visitam, genro, sobrinha, etc., etc. “Perto dos olhos e longe do coração” – já dizia minha avó –. Há poucos dias, durante um dos trabalhos da Igreja, vi um irmão, pai zeloso, levantar-se e ir até onde estava sentado o filho, e com firmeza o fez se “desconectar da rede” para que voltasse a se conectar ao culto – perdoem-me pelo trocadilho. Gostei, quando por essa causa, e por iniciativa própria o grupo de jovens da UPA, acordou entre si, manter seus aparelhos desligados para não se desligarem do motivo que os levam a igreja. Estão de parabéns.
Há de se ter cuidado, porém, pais, diáconos e demais líderes, quando aqueles aparelhos estiverem sendo usados como se fora um tablet ou leitor digital, pois com eles se pode ter num piscar de olhos, várias versões bíblicas. É uma ótima ferramenta e tolerável – segundo meu entendimento –, nas escolas dominicais ou nos estudos das quartas feira, mas deveriam dar lugar à Bíblia impressa, nos cultos solenes aos domingos à noite.
Essa prática não é exclusividade dos jovens, tem muitos “marmanjos” arrolados nessa prática. Aproveito aqui, para chamar a atenção de pais, professores e de quem mais tem sobre si o dever de ensinar: Há bem pouco tempo, exortávamos aos jovens e aos membros da nossa igreja em geral, sobre o cuidado com o que acessávamos na internet. Hoje o cuidado é bem maior: devemos estar alerta especialmente com o que estamos postando. Não subestime as conseqüências nem dê as costas para o testemunho.
Muitas coisas podem roubar de nós a comunhão com Deus e com os irmãos no templo, quando nos reunimos para adorar. Nossa presença voluntária e inteira é, sem dúvida, o antônimo presenteísmo.