mentira_dedo_cruzadoDesde a queda, a mentira tem sido uma característica comum da humanidade não regenerada. Nossa sociedade hoje é tão dependente da mentira que, se de repente se arrependesse e voltasse a dizer a verdade o nosso modo de vida entraria em colapso.[1]

“Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo,  porque somos membros uns dos outros” (Ef 4.25).

A palavra “mentira” (pseudos, em grego), é a palavra que João usa em referência ao espírito do anticristo (1Jo 2.20-23). Satanás é a fonte da falsidade e da mentira. Jesus chamou Satanás de “o pai da mentira” (Jo 8.44). Satanás introduziu “a mentira” no jardim do Éden, quando insinuou que Deus estava mentindo ao dizer que Eva não poderia comer do fruto da árvore. Ele enganou Eva com a mentira “É certo que não morrereis…” (Gn 3.4).

Paulo declara que o cristão deve “deixar a mentira” (v. 25). A palavra “deixar” tem a ver com devolver, tirar, lançar, etc. É a mesma palavra usada por Lucas sobre os líderes judeus em Jerusalém quando estavam apedrejando Estêvão, “E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram suas vestes  aos pés de um jovem chamado Saulo” (At 7.58; At 22.20). Eles colocaram de lado suas roupas para que pudessem fazer mais livremente suas más obras. O cristão deve deixar de lado a mentira para que possa viver livre e fazer o trabalho de justiça do Senhor.

“… fale cada um a verdade com o seu próximo…” – O cristão não deve apenas abandonar a mentira, mas também, falar a verdade. A Bíblia declara que o Senhor Jesus é “o caminho, e a verdade, e a vida” (Jo 14.6), o Espírito Santo é “o Espírito da verdade” (Jo 17.17); e a Palavra de Deus é a verdade (Jo 17.17). Quando uma pessoa se torna um crente, ele sai do domínio da mentira para o domínio da verdade, e toda forma de mentira, portanto, é totalmente inconsistente com o sua nova identidade.[2]

Convém observar o motivo que Paulo dá para se dizer a verdade: pertencemos uns aos outros e a Cristo: “… fale cada um a verdade com o seu próximo…” (v. 25) – Temos um motivo especial para ser verdadeiros uns com os outros, porque somos membros do Corpo de Cristo, a igreja, e, portanto, membros uns dos outros.

Nossos corpos físicos não podem funcionar corretamente se cada membro não se comunicar verdadeiramente uns com os outros. Se o nosso cérebro, de repente começar a dar sinais falsos para os nossos pés, nós vamos tropeçar ou entrar na frente de um caminhão em velocidade. Se nossos olhos decidissem enviar falsos sinais ao cérebro, uma curva perigosa na estrada poderá parecer simples e segura, e assim sofreremos um terrível acidente. Se os nervos em nossas mãos e pés não informarem corretamente ao nosso cérebro sobre uma lesão, o nosso pé poderá ser mutilado, ou os dedos queimados. Isso é precisamente o grande perigo da hanseníase, onde os nervos não conseguem enviar sinais de perigo e dor.

De forma semelhante, a igreja não pode funcionar adequadamente se os seus membros não falarem a verdade uns com os outros (Ef 4.15). É importante lembrar que, o primeiro pecado que foi julgado na igreja primitiva foi o pecado da mentira (Atos 5.1-11).[3]

Na prestigiada Universidade de Harvard existe uma estátua no meio da universidade com a inscrição: “John Harvard, o fundador, 1638”. Este ícone é conhecido como a “estátua das três mentiras”. Primeiro, o artista da escultura não encontrou nenhuma foto de John Harvard, por isso, escolheu a imagem de um cavalheiro de aparência respeitável da época. Segundo, John Harvard não foi o fundador da Universidade de Harvard. Ele era simplesmente um contribuinte significativo da faculdade nos seus primeiros dias. Em terceiro lugar, a data da estátua não representa a data da morte de John Harvard, como se poderia supor, mas o ano em que ele doou sua biblioteca e metade de sua fortuna à faculdade. A ironia está em que ao lado da estátua está o emblema de Harvard estampada com o lema da escola: Veritas – verdade.

 


[1] MacArthur, J. (1996). Ephesians (182–183). Chicago: Moody Press.

[2] MacArthur, J. (1996). Ephesians (183). Chicago: Moody Press.

[3] Wiersbe, W. W. (1996). The Bible exposition commentary (Ef 4.25). Wheaton, Ill.: Victor Books.