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“Sede, pois, imitadores de Deus,  como filhos amados; e andai em amor” (Efésios 5.1-2).

O falecido Dr. Albert Schweitzer, famoso missionário, médico e músico, em certa ocasião foi questionado: “Qual é a melhor maneira de educar uma criança?” Ele respondeu: “Existem três maneiras: 1º Pelo exemplo; 2º Pelo exemplo e 3º Pelo exemplo” (Doug Spangler, American Baby [August, 1979], p. 35). Ele estava certo. Por suas ações, palavras e atitudes em casa, os filhos aprendem a seguir os passos dos pais, sejam eles bons ou ruins.

O apóstolo Paulo sabia da importância do exemplo no ensino. Depois de mostrar especificamente a forma como devemos abandonar o velho modo de vida e de se revestir do novo homem em Cristo (4.22-32), Paulo declara que devemos ser imitadores de Deus e andar em amor, como também Cristo nos amou e se entregou por nós.

“Sede, pois, imitadores de Deus…” (v. 1) – A palavra “imitadores” (Mimētēs, em grego), do qual nós temos o termo “mímica”. Significa copiar alguém ou suas características. Assim, como imitadores de Deus, os cristãos devem imitar as características de Deus. Aliás, o propósito de Deus na salvação é redimir os homens do pecado e transformá-los “à imagem de Seu Filho” (Rm 8.29; Mt 5.48; 1Pe 1.14-16; Lv 11.44). A grande esperança dos crentes é, “… Somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (1Jo 3.2). Imitar o amor de Deus é possível porque “o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi outorgado” (Rm 5.5).

Quando Alexandre o Grande descobriu que havia um soldado covarde no seu exército, também chamado de Alexandre, ele disse ao soldado, “Renuncie a sua covardia ou renuncie o seu nome”. Aqueles que levam o nome de Deus devem ser imitadores de Seu caráter.[1] No entanto, a única maneira de imitar Deus é passando tempo com Ele![2]

“… como filhos amados…” (v. 1) – É maravilhoso observar que Deus se refere aos crentes da mesma maneira que Ele se refere a Jesus Cristo: “Este é o meu Filho amado” (Mt 3.17). Na verdade, o Pai nos ama como ama ao Seu Filho (João 17.22-23). Nascemos em uma relação amorosa com o Pai que deve refletir na maneira como vivemos.[1] Alguém que passa o dia trabalhando com lírios em uma floricultura ficará cheirando como um lírio. Um homem que tem comunhão com Deus, suas palavras e atitudes serão permeadas com essa comunhão.

“… e andai em amor” (v. 2) – A palavra “andar” implica um processo lento de passo a passo, mas constante. Paulo já havia declarado que devemos caminhar “com toda a humildade e mansidão, com paciência, tolerando uns aos outros em amor” (4.2). Ele disse que devemos “falar a verdade em amor” (4.15), para que o corpo seja “edificado em amor” (4.16). O amor é a principal responsabilidade do esposo cristão (5.25, 28, 33). O amor incorruptível de Jesus Cristo é a marca de todos os crentes (6.24).

Um dos exemplos desse tipo de amor vem de uma das principais obras escritas pelo francês Victor Hugo no século XIX. Narra à situação política e social francesa no período da Insurreição Democrática em 5 de junho de 1832 através da história de Jean Valjean.

Livre há quatro dias, Jean Valjean não encontrava quem o acolhesse devido ao seu passado. Sua fama o prejudicava. Quando bateu na porta da casa do bispo, Jean Valjean não escondeu sua vida pregressa. Mesmo assim, o bispo o convidou para dividir a ceia e ainda lhe forneceu bons lençóis para a noite de sono. O ex-presidiário, entretanto, ainda padecia os efeitos de uma vida marcada pelo estigma do crime.

Valjean então resolveu fugir da casa do bispo de madrugada, roubando os talheres de prata. Contudo, não conseguiu ir muito longe. Logo os guardas o pegaram, reconheceram as insígnias do bispo na prataria e o conduziram até a casa que lhe acolhera para ser reconhecido antes de ser devolvido ao cárcere.

Surpreendentemente, o Bispo não só o perdoou como o liberou. Tratou-o com respeito e lhe fez uma pergunta desconcertante: “Eu não lhe dei também os castiçais de prata? Por que não os levou também”?

O perdão e o amor gratuito do Bispo impactou Valjean de tal maneira que sua vida mudou para sempre. O bispo o livrara da acusação da lei, mas o tornou daí em diante, escravo da bondade. A gentileza, ou a graça, esmagou Jean Valjean. Ele nunca mais foi o mesmo. Ao liberá-lo, o bispo o fez servo de um gesto de grandeza.

A graça e o amor de Deus não é uma doutrina teológica para ser arquivada. É a mais prática e a mais bela verdade em toda a Palavra de Deus. Ela deve estar no cerne de sua experiência diária com Deus.



[1] Wiersbe, W. W. (1996). The Bible exposition commentary (Ef 5.1). Wheaton, Ill.: Victor Books.

[1] MacArthur, J. (1996). Ephesians (194). Chicago: Moody Press.

[2] Boice, J. M. (1988). Ephesians : An expositional commentary (177). Grand Rapids, Mich.: Ministry Resources Library.