O milagre da multiplicação dos pães e peixes ocorreu após um período muito agitado no ministério do Senhor Jesus e dos discípulos. Eles estavam exaustos. Marcos diz que “eles não tinham tempo nem para comer, visto serem numerosos os que iam e vinham” (Mc 6.31). Assim, sabendo que seus discípulos precisavam descansar, Jesus os levou para uma pequena aldeia de pescadores chamada Betsaida (Casa da Pesca).

Contudo, quando a notícia se espalhou e os viram partir, uma multidão começou a segui-los ao longo da margem porque tinham visto os sinais que Ele fazia na cura dos enfermos (Jo 6.2). Quando os discípulos viram a multidão, eles devem ter pensado: “Ah, não! Senhor, podemos virar o barco?” Mas, a Bíblia diz que Jesus os acolheu (Lc 9.11). Marcos declara que Jesus “… compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor” (Mc 6.34). Na Bíblia de Estudo Nova Tradução na Linguagem de Hoje está escrito: “Quando Jesus desceu do barco, viu a multidão e teve pena daquela gente…” (Mc 6.34).

Você sabe o que é compaixão? Compaixão é uma preocupação profunda que se expressa em auxílio ativo. No entanto, o verbo “compadecer” (splagchnizomai, em grego) significa ser movido pelas entranhas. Para os judeus, as entranhas são consideradas a sede do amor e da piedade (cf. Mt 9.36, 14.14, 15.32, 18.27, 20.34, Mc 1.41, 6.34, 8.2, 9.22; Lc 7.13). O pai do filho pródigo teve compaixão dele (Lc 15.20). O bom samaritano teve compaixão do viajante ferido (Lc 10.33). Jesus teve compaixão da multidão (Mc 6.34, 9.22; Mt 9.6, 20.34). Na realidade, Jesus sempre encontrava tempo para as pessoas que queriam vê-lo. Se o nosso Pai Celestial tem tanta compaixão para conosco, não deveríamos ter compaixão para com os outros?

Mas agora surge um problema. Lucas diz que “o dia começava a declinar” (v. 12). O dia escureceu rapidamente, o que tornava muito difícil a viagem de volta para casa e também à alimentação. Então, os discípulos deram uma sugestão muito prática: “Despede a multidão, para que, indo às aldeias e campos circunvizinhos, se hospedem e achem alimento” (v. 12). Os discípulos sabiam que não tinham recursos para atender a todos. Então, o mais fácil seria despedir a multidão para que voltassem para suas respectivas casas.
A maioria de nós teria dito a mesma coisa. Somos rápidos para ver e falar sobre o que não temos e somos lentos para reconhecer o Deus que nós servimos. Os apóstolos estavam demonstrando preocupação e praticidade, mas Jesus queria que eles demonstrassem fé! Os discípulos, de alguma forma, se esqueceram do mais importante, o fato de que o Filho de Deus estava “ali” com eles.

Para os discípulos o melhor era despedir as pessoas, mas o que eles precisavam aprender é que enviar as pessoas para longe de Cristo só aumenta o problema, mas não os resolve. Não importa a gravidade do seu problema, a melhor e, a única solução, não é se afastar de Cristo, ao contrário, é se lançar sobre Ele : “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei…” (Mt 11.28-30).

Jesus ainda se compadece da sua dor, das suas lágrimas e dos seus temores. O que você vai lançar sobre Ele, hoje? O que perturba a sua alma?

REV. JOCARLI A. G. JUNIOR