É lamentável observar que em nossa sociedade alguns líderes religiosos se autodenominam “apóstolos”.

“Paulo, apóstolo  de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos  que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus” (Ef 1.1).

Paulo escreve com a autoridade de um apóstolo. Paulo reivindica para si o mesmo título que Jesus dera aos doze.[1] Tanto no Antigo Testamento quanto no judaísmo, esta palavra designava alguém especialmente escolhido, chamado e enviado para ensinar com poder legítimo. O termo “Apóstolo” (apostello, em grego) significa “enviado” e no Novo Testamento é usado como um título oficial dos homens a quem Deus escolheu de maneira única e exclusiva com as credenciais fundamentais para a edificação da igreja.[2] O Senhor Jesus escolheu doze de seus discípulos para caminhar com Ele em um sentido especial e chamou-os de “apóstolos” (cf. Lc 6.13). Este termo era usado frequentemente por Jesus com referência aqueles que foram enviados pelo Pai (cf. Mt 10.40; 15.24, Mc 9.37, Lc 9.48, Jo 4.34, 5.24, 30, 36, 37, 38, 40, 57; 7.29; 8.42; 10.36; 11.42; 17.3, 8, 18, 21, 23, 25; 20.21). Era usado também no sentido de “alguém enviado como representante oficial, semelhante ao ofício de um embaixador” (cf. 2Co 5.20).[3] Isto é, Paulo não se ofereceu como voluntário para este ministério, nem a igreja o nomeara para tão grande ofício. Ao contrário, seu apostolado viera do céu, da vontade de Deus e da escolha e comissão de Jesus Cristo.

Além dos doze apóstolos originais e Matias (At 1.26), que substituiu a Judas, Paulo foi o único e último apóstolo adicional que existiu, conforme ele mesmo admitiu na carta aos Coríntios: “e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim,  como por um nascido fora de tempo” (1Co 15.8). No entanto, ele não era inferior aos outros apóstolos e cumpriu com todos os requisitos para tal ofício (1Co 9.1).

Além do mais, Paulo não foi um indivíduo qualquer que escreveu sobre suas opiniões, nem como um mestre humano. Ele era um “apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus” e, logo, um mestre cuja autoridade é precisamente a autoridade do próprio Jesus Cristo, em cujo nome e por cuja inspiração escreve.[4]

É lamentável observar que em nossa sociedade alguns líderes religiosos se autodenominam “apóstolos”.

 

Para maiores informações sobre o assunto, recomendo a leitura do post publicado pelo Dr. Agustus Nicodemus Lopes – http://tempora-mores.blogspot.com.br/2008/09/carta-ao-apstolo-juvenal_24.html

 


[1] FINDLEY, G.G. The Epistle to the Ephesians. Expositor´s Bible, Hodder & Stoughton, 1892, p. 4.

[2] MACARTHUR, John. Efesios, Comentario MacArthur del Nuevo Testamento. Grand Rapids, Michigan: Editorial Portavoz, 2002, p. 17.

[3] Utley, R. J. D. (1997). Vol. Volume 8: Paul Bound, the Gospel Unbound: Letters from Prison (Colossians, Ephesians and Philemon, then later, Philippians). Study Guide Commentary Series (70). Marshall, Texas: Bible Lessons International.

[4] STOTT, John. A Mensagem de Efésios. São Paulo: Editora ABU, 2007, p. 18.