Se uma mulher deve ou não trabalhar fora é uma pergunta frequente. Contudo, a questão não pode ser respondida com um simples “sim” ou “não”. Ela só pode ser abordada no contexto de uma compreensão clara das prioridades de Deus para as mulheres. Quais são as prioridades de Deus para as mulheres?

Sete prioridades de uma mulher piedosa são encontradas em Tito, onde Paulo exorta as mulheres mais velhas a ensinar “… as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a seus filhos, a serem sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada” (Tt 2.3-5).

As mulheres mais velhas devem ensinar as mulheres mais jovens a glorificarem a Deus. Porém, deixar de viver de acordo com essas prioridades fará com que a Palavra de Deus seja difamada.

SETE PRIORIDADES DE UMA ESPOSA PIEDOSA

Primeiro, uma mulher piedosa deve amar o seu marido. Este mandamento é simples e inequívoco. Todavia, Paulo não está se referindo ao amor romântico ou sexual, apesar de que ambos têm um papel importante e adequado no casamento. Na verdade, ele está falando do amor comprometido que as mulheres piedosas optam pelos esposos, assim como os maridos piedosos optam por amar suas esposas (Ef 5.25, 28). O termo “amar” (philandros, em grego) refere-se à vontade, um amor determinado que não se baseie na dignidade de um marido, mas sob o mandamento de Deus e que se estende pelo coração carinhoso e obediente de uma esposa.[1] Assim, o amor é a base principal do casamento. As jovens esposas devem ser “treinadas” nesta área, o que significa que é algo que pode ser controlado.[2] Isto implica que o amor não é automático. É preciso esforço deliberado.

Em segundo lugar, uma mulher piedosa deve amar os filhos. Tal como acontece com amor pelo esposo, o amor pelos filhos não é uma opção. Não é baseado na personalidade, inteligência, capacidade de atração ou merecimento, mas na sua necessidade. A responsabilidade mais importante do amor dos pais crentes é levar seus filhos a um conhecimento salvífico de Jesus Cristo. As esposas devem fazer o que tem que ser feito para atender às necessidades de seus maridos e filhos.[3] As mães devem amar seus filhos em todos os sentidos – prático, físico, social, moral e espiritual – com um amor que não tem condições nem limites (1Tm 2.15 ).

Em terceiro lugar, uma mulher piedosa deve ser sensata. O versículo 5 diz que as mulheres mais velhas devem ensinar as mulheres mais jovens “a serem sensatas” (sophron, em grego). Ou seja, de mente sã, equilibrada, que freia os próprios desejos e impulsos, autocontrolada e moderada.[4] Esta é a mesma qualidade que deve caracterizar os anciãos (1.8), todos os homens mais idosos (2.2), e, de fato, todos os crentes (2.12). O senso comum e o bom senso devem melhorar com a idade, mas deve ser evidente, mesmo no início da idade adulta (Pv 14.1).

Em quarto lugar, uma mulher piedosa deve ser pura. A palavra “honesta” (hagnos, em grego) refere-se principalmente à pureza moral, e, especialmente neste contexto, a pureza sexual e a fidelidade conjugal.[5] Isto é, uma mulher cristã é fiel ao seu marido em sua mente e coração, bem como em ação.[6] Tanto as mulheres mais velhas, quanto as mais novas, devem viver de maneira pura. “Da mesma sorte, que as mulheres, em traje decente, se ataviem com modéstia e bom senso, não com cabeleira frisada e com ouro, ou pérolas, ou vestuário dispendioso, porém com boas obras (como é próprio às mulheres que professam ser piedosas)” (1Tm 2.9-10). A palavra “modéstia” refere-se a um senso saudável de vergonha ao dizer qualquer palavra, praticar qualquer ato ou se vestir de qualquer forma ao ponto de levar um homem à luxúria. “Bom senso” refere-se ao controle moral, manter as paixões sob controle, especialmente as paixões sexuais (1Pe 3.3-6).

Quinto, uma mulher piedosa deve trabalhar em casa. A mulher cristã deve ser uma “boa dona de casa” (oikourgoi, em grego). Não seria legítimo à base dessa palavra proibir as mulheres de terem uma profissão. Todavia, se uma mulher aceita a vocação do matrimônio, e tem um marido e filhos, ela não pode negligenciá-los.[7] Paulo não está se opondo ao exercício de uma profissão da esposa. As jovens esposas cristãs devem consultar seus maridos, elas devem usar o bom senso para decidir quanto tempo pode justificadamente e sabiamente ser gasto em atividades fora de casa, seja em um trabalho remunerado ou em alguma forma de serviço. Porém, a prioridade de uma esposa, portanto, é cuidar do seu lar. Ela mostra seu amor por seu esposo e filhos fazendo do lar um refúgio de paz e descanso para a família, amigos e hóspedes.

Sexto, uma mulher piedosa deve ser bondosa. Ela dever ser gentil, atenciosa, amável, agradável e simpática, mesmo com aqueles que são indignos e cruéis (Lc 6.35). Não grosseira e avarenta, mas que vive sobriamente como uma dona de casa.[8] Quando um membro da família está triste ou desanimado, ela responde com simpatia e ​​palavras amáveis. Da mesma forma, Paulo admoesta aos crentes “Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Ef 4.32).

 Sétimo, uma mulher piedosa deve ser submissa ao marido. A expressão “sujeitas ao marido” (hupotasso, em grego) significa organizar sob, subordinar, sujeitar, ou colocar-se em sujeição (Ef 5.22-24; 1Tm 2.11-14).[9] Esta “submissão” não contém nenhuma noção de inferioridade, mas um reconhecimento de que Deus estabeleceu uma ordem criada, que inclui a “liderança” masculina, não autocracia, mas a responsabilidade de um cuidado amoroso.[10]

“… para que a palavra de Deus não seja difamada” (v. 5) – Uma das razões pelas quais as mulheres mais jovens devem ser incentivadas a cumprir com esse ensinamento é para que ninguém difame a palavra de Deus. Casamentos e lares cristãos, que exibem uma combinação de igualdade e complementaridade glorificam a Deus, mas aqueles que ficam aquém deste ideal levam o evangelho ao descrédito.

 

Conclusão:

Não há nada na Bíblia que proíba especificamente a mulher de trabalhar fora, enquanto ela cumprir suas prioridades no lar (Pv 31). No entanto, a Bíblia ensina quais devem ser as prioridades de uma mulher. O mundo clama para que as mulheres abandonem seus respectivos lares em busca do sucesso, mas não o Senhor. A Palavra de Deus descreve a mulher como alguém preocupada com o esposo, os filhos e as tarefas domésticas. Se uma mulher trabalha fora e negligencia seus filhos e marido, então o seu trabalho é um erro. Ela não está cumprindo com o papel que Deus estabeleceu para ela.

Entretanto, as mulheres que trabalham fora e ao mesmo tempo conseguem edificar a família não devem ser condenadas. Aliás, o fato de uma mulher ficar em casa não significa que ela seja mais espiritual. Mães que ficam em casa e não fazem nada, a não ser assistir a novelas e se comportar de maneira intrometida e infiel não são melhores. Na realidade, sua influência pode ser pior do que a de outras mães que trabalham fora.[11]

Portanto, uma esposa que satisfaz essas prioridades, provavelmente, será uma pessoa muito ocupada. Além disso, se ela ainda tiver tempo, então estará livre para buscar atividades empreendedoras e criativas fora do lar (Pv 31.28, 30). É verdade que as mulheres que são mais livres para fazer isso são as solteiras e as casadas, mas ainda sem filhos. Contudo, todas as mulheres devem se assegurar de que estão cumprindo suas responsabilidades no lar antes de saíram para o local de trabalho.



[1] Vine, W. E., Unger, M. F., & White, W., Jr. (1996). Vine’s Complete Expository Dictionary of Old and New Testament Words. Nashville, TN: T. Nelson.

[2] Stott, J. R. W. (1996). Guard the truth: the message of 1 Timothy & Titus (p. 188–189). Downers Grove, IL: InterVarsity Press.

[3] MacArthur, J. F., Jr. (1981). The Fulfilled Family. Chicago: Moody Press.

[4] Kittel, G., Friedrich, G., & Bromiley, G. W. (1985). Theological Dictionary of the New Testament. Grand Rapids, MI: W.B. Eerdmans.

[5] A palavra “Hagnos” é traduzida como “pura” na Bíblia na Linguagem de Hoje (NTLH) e como “casta” na Revista e Corrigida (BEARC).

[6] Wiersbe, W. W. (1996). The Bible exposition commentary (Vol. 2, p. 265). Wheaton, IL: Victor Books.

[7] Stott, J. R. W. (1996). Guard the truth: the message of 1 Timothy & Titus (p. 189). Downers Grove, IL: InterVarsity Press.

[8] Litfin, A. D. (1985). Titus. (J. F. Walvoord & R. B. Zuck, Orgs.)The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures. Wheaton, IL: Victor Books.

[9] Vine, W. E., Unger, M. F., & White, W., Jr. (1996). Vine’s Complete Expository Dictionary of Old and New Testament Words. Nashville, TN: T. Nelson.

[10] Stott, J. R. W. (1996). Guard the truth: the message of 1 Timothy & Titus (p. 189). Downers Grove, IL: InterVarsity Press.

[11] MacArthur, J. F., Jr. (1981). The Fulfilled Family. Chicago: Moody Press.