Introdução:
Tendo em vista que vamos passar a eternidade com os anjos no céu, é útil aprender tudo o que pudermos a partir das Escrituras sobre os anjos. A Bíblia diz que os anjos são espíritos ministradores, enviados para servir os que hão de herdar a salvação (Hb 1.14). Deus ordena aos Seus anjos que cuidem dos Seus santos – mas não governam sobre eles ou recebam adoração.
Os anjos, como servos de Deus, interferem de tempos em tempos nos assuntos humanos, mas a forma como isso acontece, sabemos muito pouco. Na verdade, a Bíblia não revela tudo o que gostaríamos de saber sobre os anjos.

I. O que os anjos são?
O termo “anjo” (aggelos, em grego) significa “mensageiro”. O primeiro tipo de anjo mencionado na Bíblia são os querubins, que foram enviados por Deus para proteger a árvore da vida no Jardim do Éden (Gn 3.24).
A Escritura usa várias expressões para descrever os anjos. Eles são chamados de “seres celestiais” (Sl 89.6); “Filhos de Deus” (Jó 1.6; 2.1; 38.7); “Santos” (Sl 89.5); “estrelas da alva” (Jó 38.7), “príncipes” (Dn 10.13); e “principados e potestades” (Ef 3.10).
Os anjos são seres criados. Eles não são semideuses. Eles não têm atributos da divindade, como a onisciência ou onipresença. O que os anjos são? Aqui está uma resposta de cinco partes:
• São seres criados
• São seres espirituais
• São seres pessoais
• São seres imortais
• São seres poderosos

A. Os anjos são seres criados por Deus.
Em Neemias 9, está escrito: “Só tu és SENHOR, tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto há neles; e tu os preservas a todos com vida, e o exército dos céus te adora” (Ne 9.6). Isso indica claramente que Deus criou os anjos. Note que os anjos, como toda criatura, foram criados para adorar a Deus e não para receberem adoração (cf. Ap 19.10; 22.8-9; Sl 148.2-5; Cl 1.16-17).

B. Quando os anjos foram criados?
Quando Deus criou o universo, Ele também criou um grande número de criaturas angelicais. No livro de Jó, o Senhor pergunta: “Quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?” (Jó 38.7). Observe que os anjos estavam lá para testemunhar a formação do nosso mundo.
Considerando que não há reprodução entre os anjos (Mt 22.30), eles foram criados de uma só vez durante o período de seis dias da criação de todas as coisas. Deus instantaneamente ordenou e um número incontável de criaturas veio à existência. Eles não se reproduzem, de modo que não podem aumentar em número. Eles não morrem, então, não há nenhuma diminuição (Lc 20.36).
É interessante que apenas dois anjos são mencionados na Bíblia, o arcanjo Miguel (Dn 10.13; 10.21; Dn 12.1; Jd 9 e Ap 12.7) e Gabriel (Dn 8.15; 9.21; Lc 1.19, 26), uma espécie de secretário celestial. Ele foi o único que anunciou a Maria que ela daria à luz a Jesus, o Messias (Lc 1.26-38).

C. Quantos anjos existem?
A Bíblia não contém nenhuma informação definida sobre o número dos anjos, mas mostra com muita clareza que constituem um poderoso exército. No nascimento de Jesus Cristo, apareceu “uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus…” (Lc 2.13). Ao ser preso, o Senhor Jesus declarou ao apóstolo Pedro que se quisesse, poderia simplesmente orar ao Pai e imediatamente evocar doze legiões de anjos (Mt 26.53). Isso seria algo em torno de 72.000 anjos!
A Bíblia frequentemente compara o número de anjos a um exército e as estrelas no céu (1Rs 22.19; Dt 17.3; Jó 38.7). Os cientistas dizem que há milhares de milhões de estrelas no universo. Será que existe um grande número de anjos? Sim! Em Apocalipse, o apóstolo João escreveu: “Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares” (Ap 5.11). Isso é precisamente o que o autor de Hebreus declarou: “Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos…” (Hb 12.22). Como as estrelas do céu e os grãos de areia na praia, o número de anjos é simplesmente incontável. Porém, Deus conhece o número exato.
Além disso, parece que os anjos estão organizados em diversos grupos. Por exemplo, a Bíblia fala dos querubins, serafins e dos seres viventes. A Bíblia também usa termos como “tronos”, “poderes” e “autoridades” para descrever a hierarquia dos anjos.

1. Os “Querubins”.
Os Querubins receberam a tarefa de guardar a entrada do Jardim do Éden (Gn 3.24). Além disso, a Bíblia nos diz que o próprio Deus está entronizado entre os querubins (Sl 18.10; Ez 10.1-22). Sobre a arca da aliança no Antigo Testamento havia duas figuras douradas de querubins com suas asas estendidas acima da arca (Êx 25.22; cf. v. 18-21).

2. Os “Serafins”.
Outro grupo de seres celestiais, os Serafins, é mencionado somente em Isaías 6.2-7, onde continuamente adoram ao Senhor dizendo: “Santo, santo, santo é O SENHOR dos Exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória” (Is 6.3).

3. Os seres viventes.
Tanto Ezequiel quanto Apocalipse descrevem outras espécies de seres celestiais conhecidos por “seres viventes” ao redor do trono de Deus (Ez 1.5-14; Ap 4.6-8). Parecidos com um leão, um boi, um homem e uma águia, são os representantes mais poderosos das várias partes da totalidade da criação de Deus (animais selvagens, animais domesticados, seres humanos e pássaros) e adoram a Deus continuamente: “Santo, santo, santo é o Senhor, o Deus todo-poderoso, que era, que é e que há de vir” (Ap 4.8).

D. Qual é a aparência dos anjos?
Os anjos são seres com intelecto, sentimentos e vontade. Eles possuem personalidade. Por exemplo, em Ezequiel 28, que descreve a queda do querubim ungido, Deus declara: “Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura” (Ez 28.12). Evidentemente, o arcanjo que caiu do céu e se tornou Satanás era o mais inteligente de todas as criaturas de Deus.
Os anjos são quase sempre descritos na Escritura como seres altamente inteligentes. Em Mateus 28, quando Maria Madalena e a outra Maria encontraram o túmulo de Jesus vazio na manhã da ressurreição, o anjo disse às mulheres: “Não temais; porque sei que buscais Jesus, que foi crucificado” (Mt 28.5). Os anjos se comunicam. Eles sabem conversar. Eles, obviamente, são criaturas que possuem intelecto.
No entanto, os anjos não são oniscientes. O apóstolo Pedro declarou que os anjos desejam entender o amor de Cristo pela igreja (1Pe 1.12). Portanto, existem algumas coisas que eles não entendem. Mas, o desejo de saber mais prova que eles são seres inteligentes.
Os anjos também expressam emoção. O Senhor Jesus declarou: “Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.10). Certamente, a alegria de Deus sobre a salvação de seus eleitos é também compartilhada pelos anjos.

Além disso, os anjos são muitas vezes mencionados adorando ao redor do trono de Deus. O profeta Isaías escreveu sobre a adoração angelical ao redor do trono de Deus: “No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6.1–3).
A descrição de Isaías deixa claro que os anjos não são meras máquinas, ou animais, mas ao mesmo tempo altamente inteligentes e capazes das emoções mais profundas associadas com o mais alto tipo de adoração.
Entretanto, quando Cristo se tornou homem, a Escritura diz que Ele foi feito “… por um pouco, menor que os anjos…” (Hb 2.7). Então, os anjos ocupam um estado mais elevado do que os seres humanos, pelo menos por enquanto. Algum dia a humanidade redimida julgará os anjos, e isto pode implicar que nós também reinaremos sobre eles no céu. Paulo escreveu: “Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos? Quanto mais as coisas desta vida!” (1Co 6.3). Jesus prometeu as igrejas da Ásia Menor, “Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono” (Ap 3.21). Compartilhar do trono de Cristo pode implicar que teremos domínio sobre os anjos. Se assim for, este é um conceito surpreendente!

II. O que a Bíblia diz sobre anjos da guarda?
Embora a expressão “anjo da guarda” não ocorre na Bíblia, muitas pessoas acreditam que cada indivíduo recebe um “anjo da guarda” no dia do nascimento ou no dia do batismo. Porém, a Bíblia não diz nada sobre isso.
Uma das passagens bíblicas mais conhecidas para defender esta interpretação está registrada no Salmo 34: “O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra” (Sl 34.7). Outra passagem encontra-se no Evangelho de Mateus, quando o Senhor Jesus, falando acerca dos pequeninos, declarou: “Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai celeste” (Mt 18.10). Porém, essas passagens não provam nada. Essas passagens não ensinam que cada crente ou criança tem seu próprio “anjo da guarda”, mas, simplesmente expressam o cuidado geral de Deus por Seu povo através dos anjos. Uma interpretação provável para expressão “seus anjos nos céus” é que eles estão prontos para a ação por ordem de Deus.
Sabemos que os anjos são “espíritos ministradores” enviados para servir os cristãos (Hb 1.14). Mas se cada pessoa possuiu um anjo da guarda, a Bíblia não diz nada especificamente. João Calvino acertadamente declarou: “Sim, nós temos anjos da guarda, mas não apenas um de cada!”. A Bíblia fala de um “exército celestial” – Todos os anjos que velam pelo povo de Deus. Assim, neste exato momento, há um pelotão de forças angelicais cuidando de sua vida.
Assim, a noção popular de um anjo da guarda para cada crente não tem base Bíblica. Ao invés disso, a Escritura afirma uma verdade ainda mais preciosa: o cuidado de um crente não é a tarefa de apenas um anjo; todo o exército angelical, em consenso, cuida de cada crente e de sua salvação (Gn 32.1-2; 2Rs 6.17; Lc 15.10; 16.22).

III. Quando os anjos caíram?
Além dos anjos bons, há também os maus, cujo prazer está em opor-se a Deus e combater Sua obra. Há duas passagens na Escritura que implicam claramente que alguns anjos não mantiveram a sua condição original, mas caíram do estado em que foram criados (2Pe 2.4 e Jd 6).
Satanás aspirava usurpar o trono de Deus, e como resultado foi expulso do céu. Satanás parece ser o alvo real de duas mensagens endereçadas aos governantes terrenos. Esses governantes são tão maus que podemos supor que foram habitados pelo maligno. Assim, as mensagens dirigidas aos reis maléficos parecem realmente ser destinadas a Satanás. Por exemplo, as palavras de Isaías 14.12-15, embora dirigidas ao rei da Babilônia, realmente se referem a Satanás, dirigindo-se a ele como “Lúcifer” (literalmente, “Estrela da Manhã”):
“Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. Contudo, serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo do abismo” (Is 14.12–15).

Ezequiel 28 inclui uma mensagem ao rei de Tiro que claramente vai além do próprio rei e se aplica a Satanás, que, certamente, habitava nele. Sabemos disso, porque alude ao engano de Eva no Jardim:
“Filho do homem, levanta uma lamentação contra o rei de Tiro e dize-lhe: Assim diz o SENHOR Deus: Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura. Estavas no Éden, jardim de Deus; de todas as pedras preciosas te cobrias: o sárdio, o topázio, o diamante, o berilo, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo e a esmeralda; de ouro se te fizeram os engastes e os ornamentos; no dia em que foste criado, foram eles preparados. Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniqüidade em ti. Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora do monte de Deus e te farei perecer, ó querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras” (Ez 28.12–16).

Quando Lúcifer caiu, ele levou um terço dos anjos (Ap 12.3-4). Esses anjos caídos não são nada além de seres demoníacos, alguns dos quais ainda estão perturbando a Terra até o dia de hoje – e continuarão a fazê-lo até que sejam destruídos pela mão do julgamento de Deus (Ap 20.10).
Por outro lado, os anjos bons são chamados “anjos eleitos” (1Tm 5.21). Estes evidentemente receberam, além da graça de que foram dotados todos os anjos, uma graça especial, de perseverança, pela qual foram confirmados em sua condição. A teologia protestante em geral contentou-se em saber que os anjos bons conservaram o seu estado original, foram confirmados em sua condição, e agora são incapazes de pecar. São chamados não somente santos anjos, mas também anjos de luz (2Co 11.14). Além disso, os anjos bons sempre contemplam a face de Deus (Mt 18.10).

IV. O que os anjos fazem?
A vida e o mundo dos anjos são tão ativos e tão complexos quanto o nosso. Eles habitam em outra dimensão, mas nossos mundos se cruzam com frequência, e pelo menos parte do seu trabalho está relacionada aos assuntos deste mundo. O autor de Hebreus chama-os de “espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação” (Hb 1.14). Isto sugere que os deveres angelicais são variados de acordo com a classificação.
É interessante que sempre que a Escritura descreve qualquer aparência angelical, o anjo sempre aparece como um homem. Os pronomes masculinos são invariavelmente usados para se referir a eles. Por exemplo, em Gênesis 18-19, quando os anjos visitaram Abraão e fizeram uma visita a Sodoma, eles eram completamente humanos na aparência. Eles se sentaram, conversaram e tomaram uma refeição com Abraão. Cada detalhe de sua forma visível revela sua aparência humana.
Outras vezes os anjos aparecem como homens, mas com qualidades extraordinárias, até sobrenaturais. Em Mateus 28, por exemplo, o anjo que apareceu no túmulo vazio de Jesus não era um homem de aparência normal: “O seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste, alva como a neve” (Mt 28.3).
Aparições bíblicas dos anjos – ao contrário da tradição popular – muitas vezes causam trauma e grande medo. Quando um anjo apareceu a Maria e a cumprimentou, “Ela perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação” (Lc 1.29). Quando outro anjo apareceu aos pastores que assistiram ao Seu nascimento, “eles ficaram tomados de grande temor” (Lc 2.9). Quando os soldados romanos que guardavam o túmulo de Jesus viram o anjo que havia removido a pedra do sepulcro, eles “tremeram espavoridos e ficaram como se estivessem mortos” (Mt 28.4).
Finalmente, como vimos, os anjos ministram constantemente ao redor do trono de Deus, na adoração. Como veremos, a adoração é claramente uma de suas principais funções (Is 6.3, Ap 4.6-9, 5.9-12).

V. Quem é o anjo do SENHOR?
A expressão “o anjo do Senhor” aparece mais de cinquenta vezes no Antigo Testamento. Um estudo cuidadoso dessas passagens sugere que este não era um anjo comum, mas uma Teofania, ou melhor, um Cristofania, uma aparição de Cristo pré-encarnado.
O Anjo do Senhor reivindica uma autoridade divina. Ele fala como Deus e jura por Si mesmo para o cumprimento da Sua aliança (Gn 16.10; 22.15-16).
O Anjo do Senhor exibe atributos divinos e realiza ações divinas. Ele possui o conhecimento que apenas Deus possui (Gn 16.7-8, 11, 13). Ele julga e redime como Deus (Gn 48.15-16; Jz 5.23; 2Sm 24.14-17; 2Rs 19.35).
O Anjo do Senhor recebe adoração divina. Ele é tratado como o próprio Deus, recebendo reverência e sacrifícios direcionados à Sua Pessoa (Êx 23.20-21; Jz 6.20-21,24). Nenhum anjo comum aceitaria a adoração de um homem (Ap 19.10).
O Anjo do Senhor é identificado explicitamente como Deus. É dito claramente que Ele é o Senhor (Gn 16.13; 22.12,15-18; 31.11-13; 48.15-16; Êx 14.19; 23.21; Jz 6.11-23; 13.19-22; Is 42.8).
O Anjo do Senhor é uma Pessoa divina distinta. Ele é evidentemente divino e ainda cuidadosamente distinguido do Senhor (Gn 24.7,40; 32.24-30; Êx 3.2-5; 23.20; Nm 20.16; Js 5.14-15; Jz 2.1; 6.11-24; 13.2-24; 2Sm 24.16; Is 63.9; Zc 1.12-13).

Que o “Anjo do Senhor” é uma Cristofania é sugerido pelo fato de que a referência ao “Anjo do Senhor” cessa depois da encarnação. O Anjo do Senhor deve ser identificado como a segunda Pessoa da Trindade, porque Ele é o enviado que aparece em forma humana. Ele não pode ser o Pai, que é Enviador. Ele não pode ser o Espírito Santo, que não tem forma. Mais ainda, o divino Anjo do Senhor não apareceu mais depois que o Filho de Deus veio em forma humana, na Sua encarnação. As referências a “um anjo do Senhor” em Lucas 1.11 e Atos 5.19 falta o artigo grego, o que sugere um anjo comum.

VI. Como nos relacionaremos com os anjos no céu?
A Escritura indica que no céu nos uniremos aos anjos para adorar a Deus ao redor do Seu trono. Apocalipse 4 descreve a primeira cena que João testemunhou em sua visão do céu: “Ao redor do trono, há também vinte e quatro tronos, e assentados neles, vinte e quatro anciãos vestidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de ouro” (Ap 4.4). Os anciãos representam a igreja. O fato de haver lugares permanentes para eles indica que o povo redimido de Deus perpetuamente adorará ali ao lado dos anjos.
João continua descrevendo as criaturas celestiais que adoram sem parar ao redor do trono de Deus e acrescenta no versículo 8: “E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir” (Ap 4.8). Os quatro seres viventes oferecem a mais pura e perfeita adoração durante todo o tempo, exatamente como Isaías descreveu em sua visão (Is 6.3).
Apocalipse 5.8-12 retrata uma cena semelhante, com milhares de milhares de vozes cantando a dignidade de Deus e do Cordeiro. Observe:
“E, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos, e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra. Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares, proclamando em grande voz: Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor” (Ap 5.8–12).

Esta é a canção do céu. Mal posso esperar para ouvir. Eu não posso esperar para cantar com uma voz glorificada e ser parte do grande coro dos redimidos, com todo o exército do céu.
Imediatamente, quando ouvirmos esse som, todos os problemas da terra se tornarão insignificantes. Todos os nossos trabalhos terão terminado, todas as nossas lágrimas cessarão, e não haverá mais nada a não ser a pura felicidade do céu e a alegria de estar na presença de Deus – para sempre.

Conclusão:
A Escritura ensina que anjos ministram aos santos (Hb 1.14), e que algumas pessoas “hospedaram anjos sem saber” (Hb 13.2). E por essa mesma razão, somos instruídos a mostrar bondade e hospitalidade aos estranhos. Mas a Escritura indica que estes incidentes são raros, e a chave para entender este versículo é a frase “sem saber”. É certamente possível, de acordo com as Escrituras, que você possa ser anfitrião de um anjo. Mas com toda a probabilidade, se isso ocorrer, ocorrerá sem que você o saiba. Em nenhum lugar nas Escrituras somos encorajados a procurar evidências de anjos na vida cotidiana. Além disso, Paulo adverte os crentes a não se tornarem adoradores de anjos (Cl 2.18).

“As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre…” (Dt 29.29).


© Permissões e restrições 
Você está autorizado e incentivado a reproduzir e compartilhar este material em qualquer formato, desde que informe o autor e não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.