Fome na terra prometida

[Gênesis 12.10-20]

 Hoje quero convidá-lo a examinar a vida de um dos maiores homens de toda a Bíblia. Seu nome é Abraão e sua história é contada de Gênesis 12-25. Abraão é um de homem fé por excelência (Gl 3.6-9). Quando o escritor de Hebreus 11 desejou explicar o que uma vida de fé se parece, ele deu mais espaço a Abraão do que qualquer outra pessoa. Jesus falou da fé que Abraão depositou em Deus, e assim fez o apóstolo Paulo. Aliás, repetidas vezes no Novo Testamento encontramos a frase: “Abraão creu Deus” (Tg 2.23; Rm 4.3). Isso é o que significa fé.

Além disso, a história de Abraão é encontrada do capítulo 11 até o capítulo 50 de Gênesis, enquanto apenas dois capítulos tratam de toda história da criação. Em sua caminhada diária Abraão aprendeu a confiar no Senhor (Hb 11.10).

Mas, neste capítulo, vemos Abraão agindo primeiro pela fé, depois vivendo com medo. Mesmo que Abraão fosse um homem de fé, ele era um ser humano imperfeito.

 

Contexto:

A história de Abraão começa em Ur dos caldeus, onde Abraão vivia em uma casa confortável e em circunstâncias agradáveis. A arqueologia tem revelado que a cidade de Ur era uma cidade próspera, com casas bonitas, belos parques e edifícios públicos. Porém, a cidade de Ur, era também uma cidade corrupta, onde havia sacrifícios pagãos – incluindo sacrifícios humanos. Este não era um lugar adequado para alimentar a fé.

De acordo com Gênesis 12.1, Deus chamou Abraão para deixar Ur, deixar sua parentela, e habitar em tendas o resto de sua vida. Abraão começou com seu pai e seu sobrinho, Ló, e chegou até Harã. Somente quando seu pai morreu, Abraão partiu para a terra prometida com Ló.

 

“Partiu, pois, Abrão, como lho ordenara o SENHOR, e Ló foi com ele. Tinha Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã” (Gn 12.4) – Abraão creu em Deus, em última análise, deixando Ur e Harã “sem saber para onde ia” (Hb 11.8). Ele caminhou cerca de 800 quilômetros até Damasco, depois até Canaã, a terra que Deus havia prometido (cf. 12.7).

Uma fé obediente ouve a Palavra de Deus e obedece. A vida de Abraão, nosso pai na fé (Rm 4.16), nos ensina isso. Quando Deus disse a Abrão para sair da sua terra, ele, simplesmente, “partiu como lho ordenara o SENHOR” (Gn 12, 4). Abrão ouviu o que Deus disse e agiu. Essa é a fé bíblica. Os próximos versículos nos mostram o quanto ele confiava em Deus.

 

  1. Abraão em Siquém – O lugar do altar de Abraão

 “Atravessou Abrão a terra até Siquém, até ao carvalho de Moré” (Gn 12.6) – Sua primeira parada foi em Siquém, no centro geográfico da terra prometida.O primeiro altar foi construído no carvalho de Moré. Siquém era uma cidade Cananeia e, é possível, que este seja o local de um santuário pagão. Lá Abraão ergueu um altar ao Deus vivo e deu testemunho aos ímpios cananeus.

 

“Apareceu o SENHOR a Abrão e lhe disse: Darei à tua descendência esta terra. Ali edificou Abrão um altar ao SENHOR, que lhe aparecera”(Gn 12.7) – Os cananeus tinham santuários em bosques de carvalhos, e Moré pode ter sido um dos seus centros de culto.[1] O carvalho de Moré era literalmente uma árvore. No entanto, “Moré” significa “professor”, e, em tempos antigos, durante os dias de Abrão, havia um guru/feiticeiro que ficava sentado debaixo de uma árvore, e esta árvore era de Moré, o “Carvalho do professor”.[2] O guru idólatra deveria ser capaz de ouvir as vozes dos deuses quando eles sussurravam através das folhas das árvores.

Foi neste mesmo lugar, nesta localização idólatra, que Abrão ergueu o primeiro altar. É como se ele dissesse: “Eu sei que vocês têm suas práticas idólatras, mas esta terra é uma promessa de Deus. Então, aqui sob as folhas deste carvalho, vou construir um altar ao meu Deus”. Que coragem! Que fé!

 

  1. Abraão entre Betel e Ai

O segundo lugar onde Abrão construiu um altar foi entre Betel e Ai. Veja o versículo 8: “Passando dali para o monte ao oriente de Betel, armou a sua tenda, ficando Betel ao ocidente e Ai ao oriente; ali edificou um altar ao SENHOR e invocou o nome do SENHOR” (Gn 12.8).

Esses lugares são altamente simbólicos ou significativos. “Ai” significa literalmente “monte de ruínas” ou “monte de lixo”.[3] É símbolo do mundo temporal. Por outro lado, “Betel” significa literalmente “casa de Deus”. Simboliza a presença ou a comunhão de Deus. Bem no meio, entre o “Monte de ruínas”, representando o mundo, e “a casa de Deus”, ou “o reino vindouro”, Abrão construiu um altar. Foi ali que Abrão construiu seu segundo altar. É uma belíssima ilustração. Creio que seja um aviso de um grande perigo, quando nos esquecemos de que este mundo não é permanente. Às vezes nos distraímos com as paisagens e desejamos edificar a nossa vida neste mundo. Na verdade, nos esquecemos de que somos peregrinos; não somos colonos.

O altar representa um lugar de comunhão com Deus. Abrão estava animado; ele estava emocionado. Tudo estava caminhando tão bem. Ele continua a sua caminhada indo sempre em direção ao Neguebe, um deserto árido ao sul de Canaã (v. 9).  Então, no versículo seguinte – houve fome na terra (v. 10). Deus interrompe o regozijo de Abrão com uma fome na terra.

I. A fome – Abrão desce até o Egito para escapar da fome.

“Havia fome naquela terra; desceu, pois, Abrão ao Egito, para aí ficar, porquanto era grande a fome na terra” (Gn 12.10) – Isso é mais do que apenas uma nota geográfica. Egito na Bíblia representa o caminho do mundo. Descer ao Egito significa deixar a terra prometida e trocá-la pelos maus caminhos do paganismo. Abraão foi ao lugar que representava rebelião contra Deus. A ajuda não estava no Egito, estava no altar. Abraão havia acabado de construí-lo.

Sabemos que períodos de fomes ocorreram frequentemente nos tempos bíblicos (e ainda ocorrem em partes da África e da Ásia hoje). Esse fato não é incomum. Mas o momento desse período de fome na terra de Canaã não é comum. Depois de tudo o que Abraão passou, tanto em Siquém quanto em Ai, seria justo que Deus lhe desse um período de paz e tranquilidade.

Note que não há registro de que Abraão tenha enfrentado fome em Ur ou Harã; mas agora que ele estava na terra de Deus, ele não tinha como encontrar alimento para uma grande quantidade de pessoas, além de ovelhas e gado (ver 14.14).[4] Como você reage quando uma crise bate em sua porta, especialmente quando surge quando você está em plena comunhão com Deus?

Abrão fez a coisa mais natural em sua época: “… desceu, pois, Abrão ao Egito, para aí ficar” (v. 10). É aqui que reside o problema. Não há nenhuma menção de que ele tenha procurado a vontade de Deus sobre a questão. Ele não negou a Deus; ele simplesmente se esqueceu do Altíssimo. Ele se esqueceu de como Deus é grande.[5]

O que Abraão precisava entender é que Deus está no controle das circunstâncias. Você está mais seguro em um período de crise no centro da vontade de Deus do que em um palácio longe de Sua vontade. Abraão falhou e afastou-se da vontade de Deus.[6]

 

II. A falsidade – Abrão pede a Sara para fingir que é sua irmã.

Eu quero que você perceba o que acontece nos versículos seguintes de Gênesis capítulo 12: “Quando se aproximava do Egito, quase ao entrar, disse a Sarai, sua mulher: Ora, bem sei que és mulher de formosa aparência; os egípcios, quando te virem, vão dizer: É a mulher dele e me matarão, deixando-te com vida. Dize, pois, que és minha irmã, para que me considerem por amor de ti e, por tua causa, me conservem a vida” (Gn 12.11–13).

Observe a palavra “pois” (na’, em hebraico) no versículo 13 – Significa “por favor”.[7] É como se Abraão estivesse de joelhos e implorando: “Por favor, Sara…, por favor, por favor”. Agora, isso não era realmente uma mentira. Em Gênesis, capítulo 20, versículo 12, somos informados de que Sara era meia irmã de Abrão. Eles tinham o mesmo pai, antes de Deus proclamar as penalidades contra o casamento dentro da família, por isso ela era a sua meia-irmã. Ele transmitiu aos egípcios apenas o que ele queria que eles soubessem.

Abrão é inteligente. Ele diz: “Eu realmente não estou mentindo, estou apenas dizendo uma meia verdade. Diga a eles que você é minha irmã, e tudo vai ficar bem. Vamos ficar aqui; teremos todo o alimento que precisamos; vamos sobreviver. Vamos voltar para Canaã e tudo vai dar certo”. Mas uma meia-verdade é uma mentira completa, e essa mentira vai causar uma série de problemas na vida de Abraão, como veremos.

Como você acha que Sara se sentiu a respeito de tudo isso? Aqui está um homem disposto a sacrificar a pureza de sua esposa, a fim de salvar a si mesmo. Não apenas isso, ele também estava interferindo no plano de Deus para abençoar o mundo, dando-lhes um filho. Abraão está disposto a arriscar tudo o que Deus prometeu apenas para salvar seu próprio pescoço.

Não zombe de Deus. Lembre-se da palavra do Senhor: “… e sabei que o vosso pecado vos há de achar” (Nm 32.23) e “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7). Esta é a lei imutável da semeadura e da colheita. Você não pode semear feijões e esperar colher melancias. O que você semeia é o que você colherá.

Porém, no primeiro dia, o plano de Abraão pareceu funcionar bem.

 

III. O favor – Faraó recompensa Abrão com riquezas por causa de Sara.

“Tendo Abrão entrado no Egito, viram os egípcios que a mulher era sobremaneira formosa” (Gn 12.14) – Sara tinha 65 anos de idade, no entanto, ela ainda era jovem e excepcionalmente atraente. Ela provavelmente teria cerca de trinta e cinco anos de idade em relação a nossa época. Ela estava na flor de sua feminilidade. Tudo parecia caminhar exatamente como Abraão havia planejado.

 

“Viram-na os príncipes de Faraó e gabaram-na junto dele; e a mulher foi levada para a casa de Faraó” (Gn 12.15) – O plano de Abraão trouxe várias vantagens. Em primeiro lugar, Sara seria bem cuidada, com o melhor da comida, o melhor dos vinhos, a roupa mais cara, joias e perfumes. Em segundo lugar, Abraão receberá um grande dote de Faraó.

Abrão não esperava por isso. Ele não imaginou que o seu plano fosse tão longe. Agora, havia um costume, um período de preparação antes de a mulher ser acrescentada ao harém de Faraó (observe os doze meses para a preparação de Ester [Esther 2.12]). Ela seria adicionada ao harém oficialmente, após um período. Não sabemos quanto tempo, mas podemos imaginar Abraão sentado sozinho na sua tenda percebendo que realmente tinha ido longe demais.

 

“Este, por causa dela, tratou bem a Abrão, o qual veio a ter ovelhas, bois, jumentos, escravos e escravas, jumentas e camelos” (Gn 12.16) – Do lado de fora da tenda, outro depósito de gado chegou com uma nota ditada por Faraó: “agradeço a você, Abraão, por ter vindo ao Egito. Oh, sua irmã será minha daqui a alguns meses”. Tudo começou com uma pequena mentira.

Não devemos nos surpreender se nossos planos enganosos parecem prosperar inicialmente. Afinal, o pecado é divertido, pelo menos por um tempo. Se o pecado não fosse divertido ou, pelo menos temporariamente, ninguém jamais cometeria pecado. A Bíblia fala dos “prazeres transitórios do pecado” (Hb 11.25). Se Abraão perdesse sua mulher, automaticamente, não haveria a bênção prometida.[8] O filho da promessa.

IV. A frustração – Deus afligiu Faraó e sua família por causa de Sara.

“Porém o SENHOR puniu Faraó e a sua casa com grandes pragas, por causa de Sarai, mulher de Abrão” (Gn 12.17) – Agora, pela primeira vez, o Senhor aparece em nossa história. Até agora Abraão estava na crista de uma onda criada por seus próprios planos inteligentes.

Quando a Bíblia diz que o Senhor enviou “grandes pragas” a Faraó, a palavra “pragas” (naga ̀, em hebraico) é utilizada em outros lugares em referência a doenças físicas dolorosas. Deus graciosamente se sobrepõe até mesmo aos erros daqueles que ele escolheu, em seu benefício a longo prazo (cf. 45.5-8; Rm 8.28).[9]O que se segue é um dos episódios mais humilhantes da vida de Abraão. Deus agora está usando um rei pagão para admoestar o seu servo.

 

“Chamou, pois, Faraó a Abrão e lhe disse: Que é isso que me fizeste? Por que não me disseste que era ela tua mulher? E me disseste ser tua irmã? Por isso, a tomei para ser minha mulher. Agora, pois, eis a tua mulher, toma-a e vai-te. E Faraó deu ordens aos seus homens a respeito dele; e acompanharam-no, a ele, a sua mulher e a tudo que possuía” (v. 18-20) – Pense nisso por um momento. Abraão é o homem que Deus escolheu de todos os homens do mundo para ser o pai da nação de Israel. Mas, por causa de sua desobediência, ele foi humilhado na frente de um governante pagão.

Duas vezes Faraó perguntou: “Por quê?” Abraão permaneceu em silêncio. O que ele poderia dizer? Ele mentiu para salvar a própria pele. Ele mentiu porque estava com medo de confiar em Deus em um momento de crise. Ele mentiu, porque pensou que fosse o caminho mais fácil. Abrão foi confrontado por um homem que, neste determinado ponto em sua vida, é mais piedoso do que ele – e o homem é um faraó pagão.

Como deve ser difícil ser confrontado por um pagão. Talvez seja um filho que diz: “Pai, você não está se comportando como um crente ultimamente”, ou um amigo que diz: “Você nem parece que é crente”. Ou de um cônjuge que diz: “Não consigo entender, você vive na igreja, mas se comporta como alguém que não conhece a Deus”.

 

“E Faraó deu ordens aos seus homens a respeito dele; e acompanharam-no, a ele, a sua mulher e a tudo que possuía” (Gn 12.20) – Abrão e todos os que estavam com ele, foram escoltados até à fronteira do Egito e os guardas de Faraó disseram: “Nós nunca mais queremos ver você de novo”. Assim Abraão volta à Terra Prometida, certamente, sua cabeça está inclinada, coração quebrado e os ombros caídos. Ninguém foi tão humilhado no Egito como Abraão.

Agora, não pense você que Abrão saiu ileso de tudo isso. Não! Deixe-me dar várias consequências do pecado que ele cometeu:

 

Abraão perdeu a bênção de ver a obra de Deus

Se Abrão tivesse ficado no altar em Betel; se ele tivesse clamado a Deus por suas necessidades, Deus teria respondido milagrosamente. Deus teria suprido suas necessidades. Deus fez isso com Moisés, os filhos de Israel, Elias e muitos outros. Mas, agindo em sua própria razão, Abraão perdeu a bênção de ver a obra de Deus; vendo Deus prover sua necessidade.

Da mesma forma, muitas vezes eu e você perdemos a oportunidade de ver um milagre em nossa vida porque em vez de esperar por Ele, agimos por conta própria. E, assim, colhemos as consequências de nossas decisões tolas.

 

Abraão ficou ainda mais rico

Quando Abrão saiu do Egito, a Bíblia diz que ele era muito rico: “Era Abrão muito rico; possuía gado, prata e ouro” (Gn 13.2). Mas isso é uma consequência? Alguns versículos depois, essa riqueza causou uma disputa entre os pastores de Abrão e os pastores de Ló e, finalmente, causou uma divisão na família. Nem toda riqueza é uma bênção.

 

Abraão ganhou uma serva egípcia chamada Hagar

Quando Sara saiu do Egito, ela levou consigo uma serva para ajudá-la, chamada Hagar (Gn 16.1). Esta serva mais tarde terá um filho, porque Abrão mais uma vez ouviu a sua razão (Gn 21). Aquele filho cresceu e suas descendência, até hoje, é o arqui-inimigo do povo de Israel – a nação árabe.

 

Abraão perdeu o sobrinho Ló

Ló evidentemente desenvolveu um gosto pelo Egito. Abraão e Ló saíram do Egito, mas o Egito não saiu do coração de Ló. Como é trágico quando um crente mais maduro, que deveria conhecer melhor a vontade de Deus, leva um crente mais jovem a se desviar dos caminhos do Senhor.

 

Conclusão:

Apesar de sua falha, Abraão se destaca como um homem de fé em toda a Bíblia. Leia o livro de Gênesis até o capítulo 22 ou a celebração de sua fé em Hebreus 11.8-12, 17-19, a maior seção dedicada a alguém nesse capítulo famoso. No entanto, deixe-me terminar compartilhando com você três lições que encontramos neste texto:

Em primeiro lugar, a crise vem para testar e fortalecer nossa dependência do Senhor.

Não fique surpreso quando a crise chegar. O caminho da fé é ascendente.  A viagem não é por um caminho plano onde podemos casualmente passear. O caminho da fé é ascendente, é uma subida constante para fortalecer nossos músculos espirituais. Como Provérbios, capítulo 3, nos diz: “Confia no SENHOR de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas” (Pv 3.5-6).

Abraão começou tão bem, mas tropeçou, porque não esperava a fome em Canaã, a crise veio depois de sua experiência de fé. Mas a fome é o caminho de Deus. As crises produzem perseverança e maturidade para que possamos nos tornar completos.[10]

Em segundo lugar, Deus é longânimo.

No Salmo 103 está escrito: “O SENHOR é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno” (Sl 103.8). Isso é algo extraordinário. Se eu fosse Deus, eu teria dito: “Abraão, você falhou. Vou escolher outra pessoa. Você levou os pagãos a blasfemarem o meu nome. Eu vou encontrar outra pessoa”. No entanto, Deus não age assim. Nosso Deus é generoso, nosso Deus é paciente.

A história é contada de Thomas Edison, quando estava trabalhando na primeira lâmpada. Ele terminou e entregou a lâmpada a um jovem assistente no laboratório. Esse jovem teria que levá-la para a câmara de vácuo até algumas escadas. Ele cautelosamente tomou cada passo, um de cada vez, mas, em seguida, em o último minuto, ele deixou cair a lâmpada e ele quebrou em mil pedaços. Toda a equipe teve que passar mais 24 horas fazendo outra lâmpada. Quando terminaram, para a surpresa da equipe, Edison entregou a lâmpada ao mesmo assistente. Isso, provavelmente, marcou-o e mudou a vida daquele jovem. Desta vez, ele fez o trabalho de maneira correta.

Multiplique isso por dez milhões. É assim que Deus age. Ele é paciente com Seus filhos. Nós falhamos. Nós descemos até o Egito, e Deus ainda se preocupa.

Em terceiro lugar, Deus é a resposta para todas as crises da vida.

O Egito não pode ajudar; o Egito não é a resposta para a nossa crise. Temos que voltar a Betel, o lugar de comunhão; o lugar de adoração; o lugar onde Deus espera pacientemente por nós.

 

Abrão retornou para o local de comunhão.

“Fez as suas jornadas do Neguebe até Betel, até ao lugar onde primeiro estivera a sua tenda, entre Betel e Ai, até ao lugar do altar, que outrora tinha feito; e aí Abrão invocou o nome do SENHOR” (Gn 13.3–4) – Note que era o lugar onde ele havia feito a sua tenda inicialmente, entre Betel e Ai. Ele voltou para o altar.

No final do versículo 4 está escrito: “e aí Abrão invocou o nome do SENHOR”. A lição prática de tudo isso é: nunca abandone o seu altar. Nunca abandone a comunhão com o Senhor, não importa as circunstâncias.

Se você desobedeceu e Deus, volte para o lugar onde você O deixou. Lembre-se: A vida cristã vitoriosa é uma série de recomeços. Isso não é uma desculpa para o pecado, mas é um estímulo para o arrependimento.[11] Volte para aquele lugar de comunhão com o Senhor, como Abrão, e mais uma vez invoque o nome do Senhor. Volte para aquele lugar de total dependência de Deus.

Quando a crise chegar, lembre-se que Deus não o abandonou. A vontade de Deus nunca o levará onde a graça não possa preservá-lo. Mesmo nos momentos mais difíceis podemos declarar: “Esta é mais uma oportunidade para confiar em Deus”. Não é fácil dizer isso. Às vezes é preciso mais graça para permanecer na Terra prometida do que chegar lá.

 

[1] Ross, A. P. (1985). Genesis. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 47). Wheaton, IL: Victor Books.

[2] Brown, F., Driver, S. R., & Briggs, C. A. (2000). Enhanced Brown-Driver-Briggs Hebrew and English Lexicon. Oak Harbor, WA: Logos Research Systems.

[3] Strong, J. (2001). Enhanced Strong’s Lexicon. Bellingham, WA: Logos Bible Software.

[4] Wiersbe, W. W. (1991). Be Obedient (p. 19–21). Wheaton, IL: Victor Books.

[5] Hughes, R. K. (2004). Genesis: beginning and blessing (p. 190–191). Wheaton, IL: Crossway Books.

[6] Wiersbe, W. W. (1991). Be Obedient (p. 22). Wheaton, IL: Victor Books.

[7] Swanson, J. (1997). Dictionary of Biblical Languages with Semantic Domains : Hebrew (Old Testament). Oak Harbor: Logos Research Systems, Inc.

[8] Ross, A. P. (1985). Genesis. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 49). Wheaton, IL: Victor Books.

[9] Carson, D. A., France, R. T., Motyer, J. A., & Wenham, G. J. (Orgs.). (1994). New Bible commentary: 21st century edition (4th ed., p. 70). Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-Varsity Press.

[10] Hughes, R. K. (2004). Genesis: beginning and blessing (p. 194). Wheaton, IL: Crossway Books.

[11] Wiersbe, W. W. (1991). Be Obedient (p. 25). Wheaton, IL: Victor Books.