Noé: um homem que andava com Deus.

[ Gênesis 6-8 ]

 Hebreus 11 é um dos capítulos mais encorajadores da Bíblia. O capitulo 11 de Hebreus é conhecido como a galeria da fé. Somos conduzidos ao Antigo Testamento e a vida de grandes homens e mulheres que aprenderam a confiar em Deus nos momentos mais difíceis. Aliás, a palavra “fé” aparece 28 vezes nesse capítulo. É óbvio que o escritor quer nos ensinar sobre a importância da fé.

No entanto, a melhor maneira de ensinar um conceito abstrato como a fé é utilizando uma ilustração. E este é o método que o autor de Hebreus aplica no capítulo 11. Ele volta ao Antigo Testamento e seleciona alguns dos grandes heróis e heroínas da nação de Israel como ilustrações vivas. Ele nos mostra quem eles eram, o que conquistaram e como conseguiram por meio da fé.

Mas o que significa fé? O autor de Hebreus responde: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hb 11.1). Este capítulo mostra que a fé pode vencer em qualquer circunstância. Pessoas como você e eu, ainda hoje podemos aprender o valor da fé através do estudo das aventuras destes heróis listados aqui.

Quero convidá-lo a examinar as Escrituras e verificar algumas lições preciosas sobre um homem que confiou em Deus mesmo quando tudo em sua volta dizia o contrário. O seu nome é Noé, e ele confiou em Deus apesar das circunstâncias.

Contexto:

 I. Quem foi Noé?

Mas quem foi Noé? Ele era neto de Metusalém. O Seu avô foi o homem mais velho do mundo. Ele viveu 969 anos! É interessante que o nome de Noé significa “conforto” ou “descanso”. A Escritura diz que seu pai, Lameque deu-lhe este nome porque, o nascimento de Noé foi um consolo para sua vida em meio a terra amaldiçoada: “Este nos consolará dos nossos trabalhos e das fadigas de nossas mãos, nesta terra que o SENHOR amaldiçoou” (Gn 5.29).

Noé teve três filhos: Sem, Cam e Jafé (Gn 5.32). Em Gênesis 6, encontramos uma das declarações mais lindas da Bíblia: “Noé era homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus” (Gn 6.9). Note três qualidades de Noé:

 Em primeiro lugar, Noé era um homem justo.

A palavra “justo” (tsaddiyq, em hebraico) não significa perfeição. Significa literalmente, “não contaminado”. Alguém que anda retamente.[1] Noé não havia se “contaminado” com as práticas erradas dos homens da sua época. Mesmo vivendo em sociedade corrompida pelo pecado, ele manteve-se diferente. Ele permaneceu obediente enquanto todos haviam virado as costas para Deus.

Em segundo lugar, Noé era um homem íntegro.

Noé não era apenas justo, mas também “íntegro” (tamiym, em hebraico). A palavra “íntegro” significa “completo”. Observe que a Bíblia diz que “Noé era um homem íntegro entre os seus contemporâneos”. Muitos deles provavelmente pensaram que Noé fosse um tolo, mas ninguém poderia negar que ele vivia o que acreditava.

Em terceiro lugar, Noé andava com Deus.

Em toda a Bíblia somos informados de que esta frase “andava com Deus” é usada apenas para dois homens: Enoque e Noé. Andar com Deus significa caminhar na mesma direção em total obediência ao Eterno. Além disso, duas vezes, a Escritura diz que ele era obediente. Em Gênesis 6, está escrito: “Assim fez Noé, consoante a tudo o que Deus lhe ordenara” (Gn 6.22). Mais adiante está escrito: “E tudo fez Noé, segundo o SENHOR lhe ordenara” (Gn 7.5). De fato, Noé andava com Deus.

 II. Onde ele vivia?

Não era fácil andar com Deus na época de Noé. A Escritura diz que aquela era uma cultura marcada pela maldade sem precedentes. Os versículos iniciais de Gênesis 6 pintam um quadro sombrio da degradação humana. Logo no início do capítulo 6 está escrito: “Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas, vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram” (Gn 6.1-2).

 “Então, disse o SENHOR: O meu Espírito não agirá para sempre no homem,  pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos” (Gn 6.3) – Deus não vai permitir que o seu Espírito exerça influência moderadora até então exercida sobre o pecado. De acordo com 1Pedro 3.18-20 o Espírito de Cristo, através da instrumentalidade dos patriarcas piedosos, pregou aos espíritos desobedientes do velho mundo.

“Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome, na antiguidade” (Gn 6.4) – Mas como interpretar esses versículos? Quem são os filhos de Deus? As duas interpretações mais aceitas são as seguintes:

Em primeiro lugar, a interpretação de que eles eram anjos – Nesta visão, a expressão “filhos de Deus” refere-se aos anjos caídos (demônios) que foram lançados à Terra e se relacionaram intimamente com mulheres (filhas dos homens), resultando em uma raça poderosa chamada de “gigantes” (Nephilim, em hebraico, Gn 6.4).

A palavra “gigante” ocorre apenas outra vez, em Números 13.33. Quando os espiões enviados por Moisés retornam ao acampamento israelita relatando que haviam visto “gigantes” (Nephilim), e que se sentiam como gafanhotos em comparação a eles.

Entretanto, a palavra “gigante” vem de uma raiz que significa “guerreiros ferozes”, e, aparentemente aponta para homens violentos, que tinham uma reputação de avançar sobre seus inimigos.[2] Assim, a geração antes do dilúvio é conhecida por sua violência (Gn 6.13).

 Em segundo lugar, a interpretação de que os filhos de Deus referem-se aos descendentes piedosos de Sete – Os descendentes de Sete foram chamados pelo Senhor (Gn 4.26 e 5.1-32). As filhas dos homens referem-se a mulheres ímpias, principalmente a partir da linhagem de Caim, que rejeitaram a Deus (4.16-24). Assim, o problema descrito aqui, que levou à corrupção da raça humana e do julgamento do dilúvio, foi o casamento misto entre a linhagem piedosa de Sete com as mulheres sem Deus. Indubitavelmente Satanás estava envolvido nos bastidores, como sempre está quando uma geração se afasta do Senhor (Balaão, Números 25).

De qualquer forma, a Bíblia diz que Deus viu isso como algo terrível. Examinando Ao contemplar a cena na terra Deus declarou que o homem era meramente “carnal”, ou seja, ele estava atuando no nível do reino animal e não como um feito à imagem de Deus.[3] Em seguida, o Senhor declara: “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra…” (Gn 6.5). É trágico observar que antes, quando o Senhor havia contemplado a Sua criação, Ele declarou: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gn 1.31). Mas, agora, Deus olha para o mundo e não há nada de bom. O mundo está totalmente corrompido. O pecado tornou-se tão profundo que a última parte do versículo 5 diz: “… Era continuamente mau todo desígnio do seu coração” (Gn 6.5). No versículo 11 está escrito: “A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência” (Gn 6.11).

Então, no versículo 6 está escrito: “Então, se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração” (Gn 6.6). Deus sofreu como se tivesse perdido algo precioso. Esta é uma espécie de declaração antropomórfica. Quando a Bíblia diz que Deus “se arrependeu”, isso não significa que Ele mudou o Seu plano eterno. Deus é imutável. Ele é perfeito em Seus propósitos. Nada impede o conselho da Sua vontade (Ef 1.11). Mas a partir de nossa perspectiva, às vezes parece que Deus tenha mudado o Seu plano. Para colocá-lo em termos que podemos compreender, e para revelar Resposta do coração de Deus para o pecado humano, a Bíblia diz que Deus se arrependeu ou sofreu (1Sm 15.11, 29). A palavra não significa uma mudança de propósito, mas uma mudança de sentimento.[4] E, então, no versículo 7, Deus vai fazer desaparecer da face da terra o homem. O fato de que os anjos não estão sujeitos à punição aqui confirma a interpretação dada à expressão “filhos de Deus” em 6.1.

Entretanto, “Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor” (6.8). Esta é a primeira vez que a palavra graça aparece na Bíblia. Graça é um favor imerecido. Isso é um grande incentivo. Significa que, apesar da corrupção, da violência, imoralidade e da degradação ao nosso redor, a graça de Deus ainda brilha. Onde abundou o pecado, superabundou à graça (Rm 5.20). Para Noé e sua família Deus tinha um plano perfeito. Esse plano exigiu a construção de uma arca.

Esse era o contexto de Noé, mesmo em meio a tanta corrupção, ele andou com Deus. Ele confiou em Deus. Ele demonstrou uma profunda fé. Há três lições preciosas que sobre fé que encontramos na vida de Noé.

  

I. A verdadeira fé tem uma base.

A fé verdadeira não é simplesmente um pensamento positivo em Deus. Não é um salto no escuro. Não, Noé nos mostra que a fé tem uma base, um fundamento. Em Hebreus 11 está escrito: “Pela fé, Noé, divinamente instruído acerca de acontecimentos que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa” (Hb 11.7).

Note que o texto diz que Deus avisou Noé acerca de acontecimentos que ainda não se viam. A notícia do dilúvio era tudo o que Noé tinha pela frente. Não havia nenhum sinal visível de uma inundação iminente. E o que é pior. Noé nunca tinha visto chuva. Gênesis 2 diz que: “O SENHOR Deus não fizera chover sobre a terra…” (Gn 2.5).

No entanto, Noé acreditou na Palavra de Deus. Durante 120 anos, ele trabalhou na construção da arca com base apenas na Palavra de Deus! Agora, talvez tivesse sido mais fácil para Noé se a cada três ou quatro dias Deus enviasse algumas gotas de chuva, raios e trovões. Isso poderia ter sido encorajador. Mas isso não aconteceu!

Se Noé confiou e obedeceu a Palavra de Deus durante 120 anos sob essas condições, então certamente você e eu seremos capazes de fazer isso com a revelação mais completa que temos. Temos uma Bíblia inteira sobre a qual basear a nossa fé. Temos Jesus Cristo que ressuscitou e vivo está para nos guiar. Sabemos que as palavras de Deus são verdadeiras!

Assim como Deus prometeu nos dias de Noé destruir o mundo por causa da perversidade do homem, Ele também prometeu que vai destruir o mundo novamente! O apóstolo Pedro cita o exemplo de Noé e do dilúvio e, em seguida, no capítulo 3 está escrito: “Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas” (2Pe 3.10).

Sendo assim, como devemos viver nesse mundo? Bem, isso não significa que devemos construir uma arca, mas no versículo 14 encontramos uma ordem: “Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por serdes achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis” (2Pe 3.14).

Assim, a vida de Noé mostra-nos que a nossa fé em Deus, tem uma base. Nossa fé está fundamentada na Palavra de Deus.

  

II. A verdadeira fé é visível.

Lembrem-se, Hebreus 11.7 diz que Noé fez algo pela fé! Ele construiu uma enorme arca, algo que todo mundo percebeu! Sua fé expressou-se em obediência aos mandamentos de Deus. Uma fé genuína sempre se expressa dessa forma. E precisamos lembrar que esta não foi uma tarefa fácil.

 O Tamanho da arca

“Deste modo o fará: de trezentos côvados será o comprimento, de cinqüenta a largura e a altura de trinta” (Gênesis 6.15) – Deus deu um projeto verbal a Noé. Em termos gerais, as dimensões da arca seriam de uns 150 metros de comprimento, 25 metros de largura e 15 metros de altura — mais ou menos a altura de um prédio de quatro andares. Já que a arca tinha três pavimentos, sua área total era de aproximadamente 31.000 metros quadrados. Seria mais do que 20 quadras de basquete. A arca era enorme! A história da arca de Noé é contada em detalhes. Não é apresentada como fábula, mas como história.

No filme “Noé” do diretor Darren Aronofsky, o ator Russell Crowe recebe a ajuda dos sentinelas para construir a arca. “Os sentinelas” são anjos que foram lançados na Terra por terem desobedecido a Deus, seus corpos de luz fundiram-se com rocha e lama. No filme, a história de Noé é tratado como mitologia. As ilustrações acima e muitas outras comparações demonstram que o escritor filme usou a história bíblica como tema, e não como um registro da história.

Aronofsky torceu a história bíblica para promover uma visão do ambientalista que ensina que os seres humanos são iguais aos animais e que todos nós devemos ser vegetarianos e não fazer nada que interfira no ambiente. Porém, de acordo com a Bíblia, a Terra não foi destruída porque os habitantes da terra poluíram o planeta. A inundação aconteceu porque “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração” (Gn 6.5).

Ele descreveu Noé para o The Telegraph como “o filme bíblico menos bíblico de todos os tempos”, e vê seu protagonista (interpretado por Russell Crowe) como o “primeiro ambientalista”.[5]

Porém, a Bíblia diz que Noé, Sem e Cam e Jafé tiveram que cortar as árvores e utilizá-las na arca. Em outras palavras, era um grande trabalho! Não foi à toa que levou mais de um século para ser concluída.

“Faze uma arca de tábuas de cipreste; nela farás compartimentos, e- a calafetarás com betume por dentro e por fora” (Gn 6.14). A palavra “cipreste” e “betume” (gopher, em hebraico) são semelhantes à palavra hebraica para “expiação”, que significa “cobrir”.[6] Assim você poderia dizer que aqueles que estavam protegidos pela “expiação” (madeira e betume) foram poupados do julgamento de Deus. Assim como todos que estavam na arca foram salvos, do mesmo modo, todos que estão em Cristo serão salvos.

Se Noé tivesse dito: “Eu creio no que Deus diz sobre o dilúvio”, mas se ele não tivesse obedecido, ele e sua família não seriam salvos. Se ele tivesse começado, mas diante do cansaço desistido, ele não seria salvo. Ele e sua família foram salvos do dilúvio, porque ele obedeceu a Deus completamente. Sua fé foi visível.

Andar com Deus começa e continua pela fé na Palavra de Deus; exige obediência completa à Palavra de Deus. Fé e obras, literalmente, caminham lado a lado.

Podemos aprender mais uma lição sobre fé através da vida de Noé.

 

III. A verdadeira fé é perseverante.

A verdadeira fé é fortalecida em tempos de crise. Antes do dilúvio, Deus havia falado com Noé acerca do julgamento iminente e disse-lhe para construir a arca. Pela fé Noé começou a trabalhar e não parou até que a arca estivesse pronta. Noé perseverou mesmo quando tudo pareceria contrário.

 1. Ele perseverou mesmo diante da incredulidade dos homens.

Muito provavelmente Noé foi ridicularizado por seus contemporâneos. Seu projeto foi, sem dúvida, visto como um ato de loucura.[7] Creio que um dos passatempos favoritos dos homens em sua volta era assistir Noé trabalhando em sua arca. As pessoas devem ter pensado que Noé era um tolo ao passar a vida construindo uma arca se nem mesmo havia chuva! Mas ele perseverou.

Noé e sua família não perseveraram apenas durante a construção da arca, mas também dentro da arca. Observe os versículos 9 e 10:

“entraram para Noé, na arca, de dois em dois, macho e fêmea, como Deus lhe ordenara. E aconteceu que, depois de sete dias, vieram sobre a terra as águas do dilúvio” (Gn 7.9-10) – Eles ficaram na arca cercado por animais durante sete dias, e nada aconteceu. Absolutamente nada! A porta estava fechada; eles estavam prontos para flutuar – mas não choveu!

Essa pausa de sete dias, de acordo com o Midrash (ma exposição dos versículos da Torá), foi um período de luto pela morte de Metusalém, que morreu no ano do dilúvio (cf. 5.27, 28).[8] Por fim, o versículo 16 revela: “e o SENHOR fechou a porta após ele”.

Pedro nos diz que no fim dos tempos, escarnecedores dirão: “Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação” (2Pe 3.4). Mas, como Pedro passa a explicar: “Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2Pe 3.9).

Assim, o “aparente” atraso do julgamento de Deus é por causa de Sua graça. Noé poderia ter pensado: “Cento e vinte anos é muito tempo”, e procrastinado a construção da arca. Mas ele não fez isso. Assim que ouviu a advertência sobre o juízo vindouro, ele passou a trabalhar na construção da arca. Ele levou mais de um século para concluí-la, mas não parou até que estivesse pronta. Parecia loucura para o mundo, mas tudo fez sentido quando o céu começou a derramar chuva e o abismo se abriu. Porém, já era tarde demais!

2. Ele perseverou mesmo diante do silêncio de Deus.

“Durou o dilúvio quarenta dias sobre a terra; cresceram as águas e levantaram a arca de sobre a terra” (Gn 7.17) – Deus havia advertindo o mundo mal por quase 1.000 anos. Enoque pregou contra a impiedade do seu dia. Ele chamou o seu filho de Metusalém, o que significa, “quando ele morrer, o julgamento virá”. Como um testemunho da graça e da paciência de Deus, Matusalém viveu durante 969 anos, mais do que qualquer outro ser humano. Por fim, ele morreu no ano do dilúvio. Mas as advertências de Deus foram ignoradas.

A arca estava em terra seca. O dia do dilúvio amanheceu assim como outro dia qualquer. Então, Deus fechou a porta da arca, a chuva desceu, e a terra tremeu quando os abismos foram abertos. O julgamento chegou de repente, mas não sem aviso.

Olhe para Gênesis 7.23: “Assim, foram exterminados todos os seres que havia sobre a face da terra; o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus foram extintos da terra…” (Gn 7.23).

E em seguida, observe a próxima frase, “… Ficou somente Noé… E as águas durante cento e cinqüenta dias predominaram sobre a terra (Gn 7.23-24). Agora, imagine como Noé se sentiu quando o vento e a chuva pararam e a arca parou de se mover. A morte estava por toda parte. E só havia silêncio e escuridão. Foram 150 dias sem nenhuma palavra de Deus. Então, Noé esperou e esperou. Você já passou por isso? Alguma já enfrentou um momento como esse? Quando Deus permaneceu em silêncio? Você já se sentiu abandonado por Deus? Alguma vez você já se perguntou se Deus se esqueceu de você?

Entretanto, depois de cinco meses, a Bíblia diz: “Deus se lembrou de Noé” (Gn 8.1). Quando o texto nos diz que Deus “se lembrou” de Noé, isso não significa que Deus O havia esquecido. Significa simplesmente que, no meio do grande dilúvio, Deus permaneceu fiel às Suas promessas. O Senhor olhou para a terra e se lembrou de ter misericórdia de oito pessoas flutuando em um grande barco com todos os animais.

Então, Deus enviou um vento para mover a arca e as águas retrocederam, e a arca repousou nas montanhas de Ararate (Gn 8.4). Depois de 40 dias, Noé soltou um corvo, essas aves de rapina pousam em qualquer coisa. A partir dos movimentos da ave, Noé percebeu que ainda havia água sobre a terra. Depois, Noé soltou uma pomba. Pombas gostam de lugares limpos e secos para pousar. Não encontrando um lugar assim, a pomba voltou. Noé continuou esperando.

Noé é tão paciente que ele enviou uma pomba e esperou sete dias. Eu teria enviado pombas a cada trinta minutos. Ele era um homem de fé. Ele tentou novamente. Desta vez, a pomba voltou com uma folha de oliveira (Gn 8.11). Ele esperou mais sete dias e soltou a pomba, desta vez, a pomba não voltou (Gn 8.12).

Então, no ano 601 de sua vida, no primeiro dia do primeiro mês, a água secou (8.13). Noé ainda esperou. Finalmente, no dia 27 do segundo mês, Deus disse a Noé para desembarcar (8.14-16). Noé ficou na arca mais 57 dias, até que o Senhor lhe disse para sair. Somente então Noé saiu da arca. Ele esperou em Deus, mesmo quando Deus estava em silêncio. Noé esperou um mês e 26 dias antes de desembarcar. Noé passou um ano e 10 dias na arca.

A primeira coisa que Noé fez ao sair da arca foi levar sua família em adoração a Deus.“Levantou Noé um altar ao SENHOR e, tomando de animais limpos e de aves limpas, ofereceu holocaustos sobre o altar” (Gn 8.20) – Foi um ano de silêncio; um ano de incertezas; um ano de enorme dificuldade, e ainda, ele adora a Deus. Seu primeiro ato foi agradecer publicamente a Deus por sua libertação. A oferta representou sua rendição completa e total dedicação ao Senhor. Depois do dilúvio Noé podia ver que Deus não era apenas um Deus de ira, mas também um Deus de misericórdia.

No entanto, a maior maravilha de Gênesis 8 não é que Deus se lembrou de Noé, mas que Noé se lembrou Deus.[9] Esta oferta foi tanto uma oferta de gratidão pela libertação de Noé e sua família, quanto uma oferta pelo pecado. 

“E o SENHOR aspirou o suave cheiro e disse consigo mesmo: Não tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem…” (Gn 8.21) – Deus se agradou do sacrifício e resolveu que não iria mais “amaldiçoar a terra” por causa do homem. Nunca mais haverá uma destruição como ocorreu durante o Dilúvio.

De fato, Noé foi um homem justo, íntegro e que andou com Deus. 

Conclusão:

Assim, ao final desta mensagem, gostaria de relembrar as três lições preciosas sobre fé encontradas na vida de Noé, vejamos:

Em primeiro lugar, a fé bíblica é genuína não é uma ilusão, ela tem uma base sólida, é fundamentada sobre a Palavra de Deus.

Em segundo lugar, a fé bíblica é visível. As pessoas veem a nossa fé pela maneira como vivemos.

Finalmente, a experiência de Noé nos mostra que a nossa fé é fortalecida e amadurecida em tempos de crise, principalmente, quando Deus parece estar em silêncio. A fé verdadeira é perseverante.

A história de Noé não é apenas sobre a salvação de Noé, mas sobre a nossa também! A arca torna-se uma parábola da salvação. Havia apenas uma porta na arca. Da mesma forma, há somente uma porta para a salvação hoje. Essa porta é Jesus Cristo. Ele é o caminho, a verdade e a vida e ninguém pode entrar, exceto por meio dele! Jesus é a nossa única esperança. Somente Ele pode nos livrar da morte eterna.

No Evangelho de Mateus, Jesus declarou: “Pois assim como foi nos dias de Noé,  também será a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mt 24.37–39).

No entanto, foi Deus que convidou Noé e sua família para entrarem na arca: “Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque reconheço que tens sido justo diante de mim no meio desta geração” (Gn 7.1). Esse é o convite para você hoje. Deus ainda não fechou a porta da salvação. No final da Bíblia, após a advertência do juízo vindouro, o apelo final de Deus é: “O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida” (Ap 22.17). Mais adiante, no versículo 20 está escrito: “Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente, venho sem demora. Amém! Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20). O Senhor Jesus vem para julgar a terra; Ele convida você a entrar na arca da salvação antes que Ele venha e feche a porta. Venha a Cristo agora!

Portanto, assim como a arca foi o único meio de salvação do julgamento de Deus para Noé e sua família, assim o Senhor Jesus Cristo é a única maneira que Deus providenciou para a salvação do juízo vindouro. Todos os que estão em Cristo serão salvos. Todos que confiam no sangue derramado de Cristo serão salvos. Por outro lado, todos os confiam em qualquer outra coisa estão perdidos.

O julgamento está chegando. E a única segurança é refugiar-se na arca, que é Jesus Cristo. A porta da arca ainda está aberta. Corra para Cristo e você será salvo.

 

© Jocarli A. G. Junior

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[1] Stigers, H. G. (1999). 1879 צָדֵק. (R. L. Harris, G. L. Archer Jr., & B. K. Waltke, Orgs.)Theological Wordbook of the Old Testament. Chicago: Moody Press.

[2] Fisher, M. C. (1999). 1393 נפל. (R. L. Harris, G. L. Archer Jr., & B. K. Waltke, Orgs.)Theological Wordbook of the Old Testament. Chicago: Moody Press.

[3] Smith, J. E. (1993). The Pentateuch (2nd ed., Gn 6.1–7). Joplin, MO: College Press Pub. Co.

[4] Smith, J. E. (1993). The Pentateuch (2nd ed., Gn 6.1–7). Joplin, MO: College Press Pub. Co.

[5] http://www.telegraph.co.uk/culture/film/film-news/10717724/Noah-epic-awash-in-flood-of-controversy-for-green-agenda-and-taking-liberties-with-Bible.html

[6] Stigers, H. G. (1999). 374 גֹּפֶר. (R. L. Harris, G. L. Archer Jr., & B. K. Waltke, Orgs.)Theological Wordbook of the Old Testament. Chicago: Moody Press.

[7] Smith, J. E. (1993). The Pentateuch (2nd ed., Gn 6.17–22). Joplin, MO: College Press Pub. Co.

[8] Hughes, R. K. (2004). Genesis: beginning and blessing (p. 138). Wheaton, IL: Crossway Books.

[9] Boice, J. M. (1998). Genesis: an expositional commentary (p. 374). Grand Rapids, MI: Baker Books.