O rei Ezequias foi um dos maiores reis de Judá. Mesmo sendo filho de Acaz, um dos reis mais perversos, quando Ezequias assumiu o trono aos 25 anos de idade, ele conduziu o povo de volta para Deus (2Reis 18.1-5). Ao contrário do pai, Ezequias fez o que era reto perante o Senhor. A Bíblia declara que nunca houve em Judá um rei igual a ele (2Rs 18.5). Ezequias foi um grande líder do Antigo Testamento.

Entretanto, como veremos, havia algumas falhas no caráter deste servo de Deus, ele não terminou bem.

I. A doença de Ezequias

Ao mesmo tempo em que Ezequias estava lutando com uma crise nacional (2Rs 19.35-37), ele também teve que lutar com uma crise pessoal:

“Naqueles dias, Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal; veio ter com ele o profeta Isaías, filho de Amoz, e lhe disse: Assim diz o SENHOR: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás” (2Rs 20.1).

Observe a expressão “Naqueles dias…” Em que dias? Durante a invasão dos assírios.[1] À luz da promessa registrada em 2Reis 20.6, a doença de Ezequias surgiu durante a invasão. Você pode imaginar isso? Como se não bastasse à invasão do exército assírio, Ezequias estava enfrentando uma doença grave. Mais do que isso, Deus deu a Ezequias um aviso pessoal de sua morte iminente.

Fidelidade a Deus não significa ausência de problemas. Queremos acreditar que nossas vidas estarão livres de provações e dificuldades se andarmos corretamente diante do Senhor, mas aqui está um homem cuja fidelidade estava prestes a ser recompensada com uma morte precoce. Como explicar isso?

Jamais teremos a resposta completa nesta vida. Por outro lado, podemos descansar em saber que os caminhos do Senhor não são os nossos caminhos e que Ele é capaz de usar as provações e dificuldades para alcançar Seus objetivos em nossas vidas (Rm 8.28).[2]

O profeta Isaías, o portador da infalível Palavra do Senhor, ordenou que Ezequias deveria se preparar para morrer: “… Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás” (2Rs 20.1).

Colocar a casa em ordem significa resolver todas as pendências. Ezequias deveria se preocupar com a próxima liderança. Ele deveria se preparar para passar o bastão. Fazer todos os arranjos para que a sua morte não se torne ainda mais difícil do que o necessário para o povo. Porém, como veremos, Ezequias não estava pronto para fazer isso.

II. A oração de Ezequias

“Então, virou Ezequias o rosto para a parede e orou ao SENHOR, dizendo: Lembra-te, SENHOR, peço-te, de que andei diante de ti com fidelidade, com inteireza de coração, e fiz o que era reto aos teus olhos; e chorou muitíssimo” (2Rs 20.2–3).

No capítulo 19, diante da ameaça da Assíria, Ezequias se pôs a buscar a Deus Ele tomou a carta de Senaqueribe e entrou no templo e prostrou-se diante do Senhor e orou (2Rs 19.14-19). Agora, no leito de morte, ele ora novamente. Ele pede ao Senhor para mudar o que parece ser impossível.[3] Em sua oração, Ezequias pediu a Deus para se lembrar da sua fidelidade, sua devoção sincera, e seu bom comportamento e chorou por um longo tempo (v. 3).

No entanto, no capítulo 19, em sua oração diante da ameaça da Assíria, Ezequias afirmou a soberania de Deus e desejava a glória de Deus: “Agora, pois, ó SENHOR, nosso Deus, livra-nos das suas mãos, para que todos os reinos da terra saibam que só tu és o SENHOR Deus” (2Rs 19.19). Mas, agora, ele apela para a sua própria devoção: “… Andei diante de ti com fidelidade, com inteireza de coração, e fiz o que era reto aos teus olhos” (2Rs 20.2–3).[4]

Ezequias era um bom homem. Ele foi um excelente rei. Mas, agora, em desespero, ele age como se estivesse barganhando com Deus. É como se ele dissesse, “Senhor, eu tenho sido um bom rei, eu não mereço morrer”. O pedido de Ezequias é como se Deus lhe devesse alguma coisa. Mas, observe que não é isso o que a Bíblia diz. Note o que Paulo escreveu aos Coríntios:

“Quem é que fez você superior aos outros? Por acaso não foi Deus quem lhe deu tudo o que você tem? Então por que é que você fica todo orgulhoso como se o que você tem não fosse dado por Deus?” (1Co 4.7).

Agora, pense na vida do rei Ezequias. O fato de Ezequias ser um bom rei, fiel, corajoso, tudo isso aconteceu pela graça de Deus. Não é algo que ele possa barganhar com Deus. O que temos para negociar com Deus se tudo o que temos foi Deus quem nos deu?

III. A resposta de Deus

“Antes que Isaías tivesse saído da parte central da cidade, veio a ele a palavra do SENHOR, dizendo: Volta e dize a Ezequias, príncipe do meu povo: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; eis que eu te curarei; ao terceiro dia, subirás à Casa do SENHOR” (2Rs 20.4–5).

Antes de Isaías deixar o local, o Senhor lhe disse para voltar com a boa notícia de que Ezequias seria curado. Porém, Deus declara que respondeu a oração de Ezequias por amor a Davi, “o meu servo” não por causa da piedade de Ezequias (2Rs 20.6; cf. 2Rs 19.34).

Note que Deus enviou o profeta Isaías com uma promessa dupla: Ezequias será curado e voltará ao Templo em três dias (v. 5). Além disso, o Senhor acrescentará mais 15 anos de vida: “Acrescentarei aos teus dias quinze anos e das mãos do rei da Assíria te livrarei, a ti e a esta cidade; e defenderei esta cidade por amor de mim e por amor de Davi, meu servo” (2Rs 20.6).

Que promessa! Em vez da morte, haverá recuperação; em vez da derrota, libertação. Que resposta Ezequias recebeu!

“Disse mais Isaías: Tomai uma pasta de figos; tomaram-na e a puseram sobre a úlcera; e ele recuperou a saúde” (2Rs 20.7).

A cura divina não exclui meios humanos. Por isso Isaías instruiu Ezequias a usar uma pasta de figos sobre a enfermidade e ele se recuperou (v. 7).

Por que um cristão vai ao médico quando está doente? Deus pode curar sem médicos e medicamentos? Certamente, Ele pode. Mas Deus realiza a maior parte das curas por meio de médicos, medicamentos e hospitais. Devemos nos alegrar em saber que Deus usa instrumentos. Isso significa que Ele pode nos usar no serviço do Seu reino.

“Ezequias disse a Isaías: Qual será o sinal de que o SENHOR me curará e de que, ao terceiro dia, subirei à Casa do SENHOR?” (2Rs 20.8).

Apesar da palavra de Isaías, Ezequias ainda pede um sinal de que de fato ficará curado. Deus em Sua infinita misericórdia mais uma vez, responde ao pedido de Ezequias. Todavia, Ezequias precisava entender que a palavra de Isaías era um sinal suficiente de que Deus lhe concederia mais quinze anos de vida.

“Ser-te-á isto da parte do SENHOR como sinal de que ele cumprirá a palavra que disse: Adiantar-se-á a sombra dez graus ou os retrocederá? Então, disse Ezequias: É fácil que a sombra adiante dez graus; tal, porém, não aconteça; antes, retroceda dez graus” (2Rs 20.9–10).

Então, Isaías de bom grado oferece a Ezequias uma escolha: “O que você prefere: que a sombra avance dez degraus ou volte dez degraus?” (2Rs 20.9). Ezequias pediu que a sombra do sol retrocedesse dez degraus (v. 10).

“Então, o profeta Isaías clamou ao SENHOR; e fez retroceder dez graus a sombra lançada pelo sol declinante no relógio de Acaz” (2Rs 20.11).

Aparentemente, uma escada especial havia sido construída como um dispositivo de tempo, uma espécie de relógio de sol. Deus atrasou o tempo e fez a sombra retroceder. Se Deus pode atrasar o tempo, Ele também pode atrasar a morte de Ezequias. Existem várias explicações sobre este milagre:

  • Houve um terremoto que moveu os degraus do relógio de sol;
  • Houve uma refração (desviar) dos raios do sol, ou
  • Houve um eclipse que temporariamente obscureceu os raios do sol;
  • Deus reverteu à rotação da Terra para realizar esse milagre.

Contudo, não há nenhuma explicação sobre o que aconteceu. Deus escolheu permanecer em silêncio sobre este assunto. O que sabemos é apenas isto:

  • Isaías orou,
  • Deus ouviu a oração, e
  • Ezequias viu a sombra retroceder

Deste modo, Deus curou o rei Ezequias e lhe concedeu mais 15 anos de vida como o profeta Isaías havia declarado (v. 11).

 III. O orgulho de Ezequias

Este episódio infeliz nos lembra de que até mesmo o mais forte na fé pode falhar, e falhar terrivelmente. Devemos caminhar com o Senhor a cada dia como se fosse o nosso primeiro dia de caminhada.

A. A visita dos babilônios (2Rs 20.12-13)

“Nesse tempo, Merodaque-Baladã, filho de Baladã, rei da Babilônia, enviou cartas e um presente a Ezequias, porque soube que estivera doente” (2Rs 20.12).

Ouvindo a respeito da recuperação de Ezequias, o filho do rei de Babilônia, estrategicamente, enviou-lhe uma carta e um presente porque soube que estivera doente. O que indica que a notícia da vida de Ezequias foi se espalhando por todas as outras nações.

Note a expressão “nesse tempo” – Era o melhor momento da vida do rei Ezequias (2Cr 32.27-31). Ele alcançou o respeito das outras nações, porque Deus derrotara a poderosa Assíria. Além disso, ele acabara de ser curado de uma doença mortal. Tudo caminhava muito bem. Mas o que Ezequias estava prestes a aprender é que a prosperidade é uma ameaça maior do que a adversidade.

“Ezequias se agradou dos mensageiros e lhes mostrou toda a casa do seu tesouro, a prata, o ouro, as especiarias, os óleos finos, o seu arsenal e tudo quanto se achava nos seus tesouros; nenhuma coisa houve, nem em sua casa, nem em todo o seu domínio que Ezequias não lhes mostrasse” (2Rs 20.13).

O rei Ezequias os recebeu e lhes mostrou toda a sua riqueza, isto é, a sua prata e o seu ouro, as suas especiarias, os seus perfumes e todas as suas armas. “Não houve nada nos seus depósitos ou em qualquer outro lugar que Ezequias não mostrasse” (2Rs 20.13, NTLH).

Esta foi a decisão mais tola da parte de Ezequias. O que o rei Ezequias não percebeu é que ele deu aos embaixadores babilônicos um motivo para voltar.  A partir desse momento, Judá foi adicionada à lista de desejos da Babilônia.[5]

B. A visita do profeta Isaías (2Reis 20.14-19)

“Então, Isaías, o profeta, veio ao rei Ezequias e lhe disse: Que foi que aqueles homens disseram e donde vieram a ti? Respondeu Ezequias: De uma terra longínqua vieram, da Babilônia” (2Rs 20.14).

Depois que os babilônios partiram, Isaías visitou o rei Ezequias mais uma vez. Porém, o mesmo profeta que havia confortado Ezequias no passado foi visitá-lo, mas, desta vez, para repreendê-lo.

Isaías fez duas perguntas penetrantes: “… Que foi que aqueles homens disseram e donde vieram a ti? Respondeu Ezequias: De uma terra longínqua vieram, da Babilônia… Que viram em tua casa? Respondeu Ezequias: Viram tudo quanto há em minha casa; coisa nenhuma há nos meus tesouros que eu não lhes mostrasse” (2Rs 20.14–15).

Observe a resposta de Ezequias: “Viram tudo quanto há em minha casa, meus tesouros…”. Observe que não houve nenhuma referência a Deus em sua conversa com os emissários da Babilônia. Nenhuma glória foi dada a Deus. Nenhuma explicação de como Deus o salvou; como Deus fez tudo.

Por que Ezequias agiu assim? Isaías declara que Ezequias se agradou dos mensageiros…” (v. 13). Em 2Crônicas, está escrito: “Mas não correspondeu Ezequias aos benefícios que lhe foram feitos; pois o seu coração se exaltou…” (2Cr 32.25). Ou seja, quando os embaixadores chegaram, Ezequias gostou de receber os elogios e isso o deixou muito orgulhoso!

Ezequias se tornou um exemplo do que pode acontecer com um homem orgulhoso. Como declarou o sábio: “A soberba precede a ruína…” (Pv 16.18). Mesmo sendo um homem experiente, com 39 anos de idade, Ezequias revelou um coração soberbo. Esta é uma das razões porque homens experientes começam a destruir o que construíram.

“Então, disse Isaías a Ezequias: Ouve a palavra do SENHOR: Eis que virão dias em que tudo quanto houver em tua casa, com o que entesouraram teus pais até ao dia de hoje, será levado para a Babilônia; não ficará coisa alguma, disse o SENHOR. Dos teus próprios filhos, que tu gerares, tomarão, para que sejam eunucos no palácio do rei da Babilônia” (2Rs 20.16–18).

Deus anunciou por meio de Isaías que os babilônios viriam e levariam embora tudo o que Ezequias lhes havia mostrado (v. 17). Além disso, os “filhos” de Ezequias isto é, seus descendentes se tornarão escravos na corte do rei da Babilônia. Porém, o mais assustador não foi a resposta de Deus, mas a resposta do rei Ezequias.

C. A resposta de Ezequias

“Então, disse Ezequias a Isaías: Boa é a palavra do SENHOR que disseste. Pois pensava: Haverá paz e segurança em meus dias” (2Rs 20.19).

O que temos aqui é um dos versículos mais tristes de toda a Bíblia. A reação de Ezequias foi surpreendentemente. Sua resposta foi egoísta. Ezequias não esboçou nenhuma preocupação com o bem-estar de sua geração.

O que ele deveria ter dito? Mais cedo quando o profeta Isaías disse que ele morreria, ele virou o rosto para a parede, clamou a Deus e chorou copiosamente. E Deus lhe concedeu mais 15 anos de vida.

Deste modo, ele deveria ter chorado. Ele deveria ter declarado: “Deus isso é uma ameaça contra os meus filhos, minha nação, minha cidade, por causa dos pecados que cometi. Tenha misericórdia dos meus filhos, tenha misericórdia da cidade, dos meus netos, bisnetos, tenha misericórdia do Teu povo, tenha misericórdia do povo da aliança. Não deixe que meus pecados destruam a nação. Eu te imploro!”. Mas, não foi isso o que ele fez.

Ele simplesmente disse: “Boa é a palavra do SENHOR…” (v. 19). Sabe o que me impressiona? Ezequias é capaz de mascarar o que está passando no seu coração com uma frase piedosa: “Boa é a palavra do SENHOR…” (v. 19).  Quando, na verdade, o que ele realmente está dizendo é: “Não quero nem saber”. “Quando os babilônios vierem, eu já estarei morto mesmo, não é mais da minha conta”. A resposta de Ezequias foi egocêntrica e impenitente.

Assim, o capítulo termina com uma nota trágica: o maior reformador de Judá recebeu a notícia da queda do seu reino, e não esboçou nenhuma esperança ou arrependimento para evitá-lo.[6]

“Descansou Ezequias com seus pais; e Manassés, seu filho, reinou em seu lugar” (2Rs 20.21).

Três anos depois do aviso solene de Isaías, nasceu Manassés, o filho de Ezequias. Depois da morte de Ezequias, Manassés subiu ao trono com 12 anos de idade e reinou durante 55 anos, o reinado mais longo de Judá (2Rs 21.1).

Tudo o que pai fez, ele desfez. O pai abriu a casa de Deus, limpou a casa de Deus dos ídolos, Manassés fez o contrário, ele encheu a casa de Deus de ídolos. Ele adorava as estrelas, mandou construir altares pagãos no Templo, queimou o próprio filho em sacrifício, fazia adivinhações, feitiçarias e consultava adivinhos e médiuns (2Rs 21.3–7).

Além disso, a Bíblia diz que Manassés matou tantas pessoas inocentes, que as ruas de Jerusalém ficaram alagadas de sangue (2Rs 21.16). Segundo a tradição, ele mandou matar o profeta Isaías, serrando-o ao meio (cf. Hb 11.37). Ele foi o rei mais perverso na história de Judá.

“Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás” (2Rs 20.1). Ezequias viveu mais 15 anos, mas foram os piores anos de sua vida. O que Deus o mandou fazer, ele não fez. Ezequias não colocou em ordem a sua casa! Ele começou muito bem, mas terminou muito mal.

Conclusão:

Diante de tudo isto, como está a sua família, hoje? O que Deus quer que você faça? O que você precisa colocar em ordem? Talvez você se sinta, hoje, um fracasso como pai ou mãe. Como consertar as coisas? Por onde começar? Comece pelo arrependimento. Deus sempre honra o arrependimento. Volte para Deus. Confesse suas falhas e comece a obedecê-Lo.

Não basta simplesmente dizer: “Eu creio em Jesus”. Devemos fazer o que pudermos para que a próxima geração também creia. Temos uma responsabilidade sagrada de inculcar a Palavra de Deus na vida de nossos filhos (Dt 6). Se fizermos nossa parte, podemos confiar no Espírito Santo para usar a Palavra na vida de nossos filhos.

O dia de ontem se foi para sempre, o amanhã pode nunca chegar, hoje é tudo o que você tem. Faça o que Deus quer em sua família. A ordem de Deus permanece: “Põe em ordem a tua casa…” (2Rs 20.1).

[1] Hobbs, T. R. (1998). 2 Kings (Vol. 13, p. 289–290). Dallas: Word, Incorporated.

[2] Ellsworth, R. (2002). Apostasy, Destruction and Hope: 2 Kings Simply Explained (p. 220–221). Darlington, England: Evangelical Press.

[3] House, P. R. (1995). 1, 2 Kings (Vol. 8, p. 373). Nashville: Broadman & Holman Publishers.

[4] Bimson, J. J. (1994). 1 and 2 Kings. In D. A. Carson, R. T. France, J. A. Motyer, & G. J. Wenham (Orgs.), New Bible commentary: 21st century edition (4th ed., p. 380–381). Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-Varsity Press.

[5] Ellsworth, R. (2002). Apostasy, Destruction and Hope: 2 Kings Simply Explained (p. 227). Darlington, England: Evangelical Press.

[6] Bimson, J. J. (1994). 1 and 2 Kings. In D. A. Carson, R. T. France, J. A. Motyer, & G. J. Wenham (Orgs.), New Bible commentary: 21st century edition (4th ed., p. 381). Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-Varsity Press.